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RIBEIRO,
PRESIDENTE: Nossa boa conduta nos diferencia
no mercado
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A
nova revolução HP
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modelo ético
Estudo da FGV
elege a gigante da informática como melhor exemplo no Brasil de
empresa que atua corretamente com clientes, funcionários e fornecedores.
Marta
Barbosa
A última
quarta-feira foi um dia agitado na sede brasileira da Hewlett Packard,
em São Paulo. Na sala de reuniões, o presidente da
multinacional Carlos Ribeiro comemorava o título de empresa
mais ética entre as indústrias do País, segundo
pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Ao mesmo
tempo, no departamento ao lado, a diretoria de RH tinha um pepino
e tanto para resolver. Afastar um funcionário que violou
uma das normas mais importantes do código de ética:
o respeito aos colegas. O empregado usou o correio eletrônico
interno para enviar mensagens pornográficas. Seria punido
com a demissão, mas pediu seu desligamento antes. O exemplo
mostra que a HP não é uma empresa tão distinta
da sua ou das que você conhece. Lá trabalham profissionais
que, como qualquer ser humano, cometem erros. A diferença
está na forma que esses erros são tratados. Existem
poucas coisas aqui dentro que não aceitamos negociar,
conta Ribeiro. Uma delas é a violação
de qualquer norma de ética.
E
não aceitam mesmo. A primeira coisa que um novo funcionário
recebe quando começa a trabalhar na HP é um CD-ROM
com os padrões de conduta. As regras valem para qualquer
situação, seja no relacionamento com os colegas ou
nos negócios. No manual, o funcionário fica sabendo,
por exemplo, que não pode aceitar presentes dos clientes.
No máximo, um almoço ou um item promocional. Também
não pode ter qualquer participação (como ações)
numa empresa que seja fornecedora da HP. As normas valem para todos,
no Brasil ou na sede nos Estados Unidos. Para a professora Cecília
Arruda, coordenadora da pesquisa de ética da FGV, essa obsessão
pelas regras explica a posição de liderança
da HP no estudo. Não são imposições
e sim formas de fazer bem sem prejudicar ninguém com isso.
A multinacional americana desbancou as 20 maiores empresas do setor
industrial no Brasil, analisadas durante quatro meses.
É
claro, essa cobrança de comportamento só dá
certo porque os funcionários se sentem bem dentro da empresa.
Lá, predomina a política de portas abertas. Aliás,
nenhum departamento tem portas já para facilitar a integração
em todos os níveis. Uma relação de confiança
mesmo. E é justamente esse o segundo ponto mais importante
nos corredores da HP: a confiança nos profissionais. Todos
que trabalham aqui são honestos, até que provem ao
contrário, explica o diretor de RH, Jair Pinutti. Nenhum
empregado, por exemplo, precisa elevar os valores de notas fiscais
para conseguir o reembolso daquele gasto extra durante uma viagem.
Todas as despesas até US$ 200 não precisam de autorização
para serem reembolsadas. Basta fazer a cobrança por um sistema
informatizado e em 24 horas o dinheiro estará na conta corrente.
Outro exemplo? Um dos empregados que mais teve promoções
na HP é o gerente de operações Kami Saidi,
que começou em 94 como estagiário. Ele nasceu no Irã
e foi selecionado entre 72 candidatos mesmo com o embargo comercial
ao seu país mantido pelos Estados Unidos. Em outras palavras,
a HP não misturou questões raciais na escolha de um
funcionário. Por via das dúvidas, já dentro
da empresa, Saidi se naturalizou brasileiro.
Mas
nem pense que o esforço para continuar na linha não
chega nas salas da diretoria. O presidente Carlos Ribeiro perdeu
a conta de quantas negociações abandonou por não
concordar com as regras do jogo. Por muito tempo, a HP não
fazia negócio com nenhum órgão do governo.
Perdeu dinheiro com isso? Não, garante Ribeiro. A postura
ética se tornou nosso diferencial, diz. Em 63 anos
de existência, a empresa não teve prejuízo um
trimestre sequer. E nem o presidente está livre de seguir
as normas. No final do ano passado, Ribeiro devolveu uma passagem
para participar de um congresso no Nordeste. Motivo: um fornecedor
era o patrocinador. O exemplo e a transparência são
essenciais para manter o comportamento ético da empresa,
analisa Adalberto Fischmann, professor de planejamento estratégico
de empresas da USP.
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