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RETORNO:
Visitantes vão gastar US$ 859 milhões durante
a copa.
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Alemanha
2006
Os
bastidores da corrida para ganhar um jogo que vale bilhões
E deu
Alemanha. Na quinta-feira, 6, em Zurique, o presidente da Fifa,
Joseph Blatter, anunciou a vitória dos germânicos na
disputa para sediar a Copa do Mundo de 2006, enterrando as pretensões
da África do Sul, de Marrocos e da Inglaterra. Quanto ao
Brasil, que havia se candidatado à vaga... Bem, o Brasil
saiu de campo antes do sorteio e se bandeou para os lados da África
do Sul. Dupla derrota. A briga para sediar o maior torneio de futebol
do planeta, na verdade, envolve interesses muito maiores do que
o prestígio das federações locais e a alegria
do povo. Envolve dinheiro, muito dinheiro. Um estudo realizado
pelo Instituto de Economia e Esportes da Alemanha concluiu que os
1,1 milhão de visitantes irão gastar 1,7 bilhão
de marcos (US$ 859 milhões) durante a Copa. Os investimentos
em infra-estrutura, segundo o mesmo estudo, ficarão em 690
milhões de marcos (US$ 336 milhões). A Copa
irá expandir a indústria da construção
e terá um efeito positivo na exportação de
serviços em 2006, diz Christoph Hausen, analista do
Commerzbank. Será igualmente importante que o Leste
alemão abrigue uma série de jogos. Isso pode ajudar
na imagem de integração social e atrair novos investidores.
Na noite da mesma quinta-feira, porém, em meio ao clima de
euforia, uma notícia ameaçou jogar água no
chope alemão. Um delegado da Fifa, de Trinidad e Tobago,
afirmou ter recebido oferta em dinheiro para votar na Alemanha.
Detalhe: os europeus ganharam por diferença de um voto dos
africanos. Isso é só uma amostra do que significa
ser a sede da Copa do Mundo.
Antigamente,
torneios esportivos mundiais davam prejuízo aos países-sedes.
Boa parte dos investimentos saía dos cofres do governo
a participação de empresas era pequena e quando
o campeonato terminava, o saldo era um rombo nas contas públicas.
Havia uma total falta de planejamento, diz José
Carlos Brunoro, consultor de Esportes. Na era do marketing esportivo,
a coisa virou. Em 1994, nos EUA, a equipe de Alan Rothenberg
presidente da Federação Americana de Futebol
, conseguiu atrair várias empresas para o evento. Canon,
Mastercard, Philips, McDonald´s, GM, Gilette investiram, em
média, US$ 15 milhões cada uma. Não entrou
um tostão do governo. Um estudo da Universidade de Los Angeles
revelou que o impacto econômico da Copa foi de US$ 4 bilhões,
levando-se em conta a movimentação no comércio
local, a geração de empregos e as melhorias em infra-estrutura.
As ações hoje são predominantemente privadas
e isso por si só garante lucratividade, diz Marcos
Saraiva, diretor da Trevisan.
Geralmente,
além dos patrocinadores vinculados à Fifa, como Coca-Cola
e Adidas, há os provedores locais que garantem
boa parte da receita para a organização do torneio.
No caso alemão, o comitê pró Copa anunciou que
VW, Deutsche Bank, Bayer e outras empresas manifestaram interesse
em unir suas marcas aos jogos. Às cidades-sedes, o que fica
são os ganhos em setores como transporte, hotelaria e comércio.
Por tudo isso, vale a pena ser a sede da Copa do Mundo.
Alemanha
e Inglaterra, por exemplo, gastaram cerca de US$ 4 milhões
cada na campanha de apresentação de seus países.
O investimento, pequeno no início, serve para financiar pesquisas,
preparar um dossiê com as condições de estádios
e infra-estrutura, subsidiar o material promocional. Nos casos alemão
e inglês, uma comissão foi formada pelo governo dos
países para trabalhar junto ao comitê organizador.
No Brasil, a campanha consumiu R$ 1 milhão e o governo não
se intrometeu. As tentativas frustradas de sediar olimpíadas
no passado acabaram desgastando as relações entre
os órgãos, diz Brunoro. Agora, resta engolir
a goleada do lobby alemão.
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