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VICENTE FOX: Visão empresarial pode ajudar
na modernização do país
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É
isso aí Fox
Como a experiência
na Coca-Cola moldou as técnicas de marketing do seu então executivo
e agora presidente do México
Darcio
Oliveira e Ricardo Osman
Vicente
Fox Quesada foi eleito presidente do México, no dia 2, depois
de percorrer o país com suas botas de caubói e pedir
o voto ao eleitor em uma linguagem cheia de gírias. As cenas
de campanha lembravam a descontração e a ousadia comuns
nas propagandas de televisão. Para tirar o Partido Revolucionário
Institucional (PRI) do poder, onde estava instalado há 71
anos, Fox, hoje com 57 anos, teve de ser um excelente garoto-propaganda
de sua proposta de mudanças. Nada melhor para isso do que
uma escola com experiência internacional em marketing: a Coca-Cola.
Durante 14 anos, ele trabalhou nesta companhia no México
hoje a segunda maior operação da multinacional
de refrigerantes no mundo. Ali, Fox teve uma carreira bem-sucedida
e uma ascensão meteórica. Depois de 71 anos
acostumado a uma bebida, é difícil ao povo mudar o
hábito, mas chegou a hora, pregou ele nos palanques
eleitorais do Partido de Ação Nacional (PAN). Na época
da Coca-Cola, o discurso do executivo teria uma mensagem inversa.
De qualquer forma, o apelo vem, claramente, do molde que transforma
em comerciais de tevê a estratégia das grandes companhias:
a oportunidade. A experiência na briga pela preferência
do consumidor, à frente da Coca-Cola, foi-lhe útil
na política. Foi este talento que levou o jovem de 22 anos,
de simples entregador de refrigerantes de um distrito da capital
do país, à presidência da filial mexicana. Aos
36 anos, quando deixou a multinacional, já era o comandante
na América Central.
Vicente
Fox tornou-se executivo bem-sucedido por sua obediência à
uma fórmula simples: acordou cedo todos os dias e trabalhou
até tarde, com uma equipe estimulada e recrutada nas melhores
salas de aula, como atesta sua ex-secretária Luz Maria Aguillar,
em entrevista à DINHEIRO. O expediente começava
às nove. Ele sempre chegava antes das sete. Era um madrugador.
Fox conseguiu grandes vitórias na presidência da Coca-Cola.
De acordo com fontes do setor, ele ampliou a participação
deste refrigerante no mercado, no período em que esteve lá,
de 58% para 63%. Não é pouca coisa para um filho de
rancheiros de Guanajuato. No comando da filial mexicana da multinacional,
ele deixou sua principal marca: a renovação de quadros.
Chegou a peregrinar por faculdades mexicanas em busca de jovens
talentos. Não é à toa que esta é também
a promessa do presidente eleito, mudanças na máquina
estatal mexicana, hoje ocupada pelos quadros do PRI.
O currículo
do executivo da Coca-Cola foi bastante explorado na eleição.
Os adversários alegavam que um gerente de companhia
não está capacitado para chefiar o governo. Já
os aliados rebatiam: Como empresário, Fox tem a visão
necessária para modernizar o México, defende
uma jornalista. Na Coca-Cola, Fox também enfrentou períodos
turbulentos. Havia uma disputa ferrenha entre os engarrafadores
pela divisão de territórios. Fox negociou com
todos eles, demarcou regiões e pôs fim à briga,
lembra Luz Maria. Luis Lobão, ex-presidente da Coca-Cola
do Brasil e comandante da filial mexicana no início dos anos
90, conta que conheceu Fox já governador de Guanajuato. Sabia
da admiração dos funcionários da Coca por ele,
mas não imaginava que iria encontrar uma figura tão
carismática, observa Lobão. Parte da admiração
dos empregados da Coca-Cola por Fox está diretamente ligada
ao bolso. Foi o atual presidente mexicano que implementou a política
de remuneração por resultados na empresa. Com isso,
Fox estimulou a competitividade, interna e externa. Cada departamento
da Coca-Cola queria provar mais que o outro e o saldo final era
o crescimento da companhia. Agora tenta o mesmo com o país.
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