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FINANÇAS/AQUISIÇÃO
Foto: Biô Barreira
DIPLOMACIA: Unibanco negociou com ministro das Finanças português e dois ex-ministros
para vencer a disputa pelo Bandeirantes

A batalha de Lisboa
Como o Unibanco, com diplomacia e uma oferta acima do valor de mercado, abocanhou o Bandeirantes – e por que o Itaú desistiu da luta no final

Ernesto Bernardes

» Box: Entrevista de Pedro M. Salles

O ataque foi desencadeado em várias frentes. Por três vezes o Unibanco despachou jatinhos até Portugal para negociar, junto à estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), a compra do Bandeirantes. O ministro das Finanças, Joaquim Augusto de Pina Moura, e dois ex-ministros da área econômica também receberam visitas dos diretores da instituição brasileira. Para apoiar o avanço, o Commerzbank, sócio minoritário dos Moreira Salles, também deu uma mãozinha. Arno Noellenburg, que representa o banco alemão no Brasil, convenceu o presidente de sua matriz a enviar uma carta à CGD vendendo o peixe dos parceiros. Francisco Murteira Nabo, presidente da Portugal Telecom, associada ao mesmo tempo com o Unibanco e com a Caixa Geral, completou o lobby pelo outro flanco.

O esforço era mesmo necessário. Na disputa pelo Bandeirantes, com R$ 9,1 bilhões em ativos, estavam o Bradesco, o HSBC, o Santander e o Itaú – que tem, entre seus sócios, a própria CGD, e era tido como o favorito no leilão informal. O Unibanco, porém, caprichou na diplomacia. Nas conversas, seus representantes lembravam de laços históricos com a terrinha. Em 1972 a instituição havia firmado um acordo com o Banco Português Atlântico, acreditando que assim abriria as portas para o mercado lusitano. A parceria foi encerrada traumaticamente três anos depois, quando a Revolução dos Cravos nacionalizou todos os bancos e expulsou os estrangeiros do mercado. A recordação serviu para sensibilizar os interlocutores (ligados ao Partido Socialista) com a sugestão de um relacionamento feliz interrompido por uma briga desnecessária.

Chuva de adendos. As negociações, intermediadas pela corretora americana Merril Lynch, tiveram lances dramáticos. A última proposta foi recebida na quarta-feira, 5, quando ficou claro que a preferência era pelo Unibanco. Mas até o fechamento do negócio, na madrugada de domingo, houve mais de uma dezena de avanços dos outros candidatos, oferecendo aditivos contratuais e novos parágrafos a suas minutas. Quando o presidente da holding do Unibanco, Israel Vainboim, bateu o martelo com os portugueses, todos comemoraram com uma rodada de pastéis de nata. Para a instituição paulista a vitória significou acumular, em quatro meses, negócios maiores que a compra, em 1995, do Nacional, com R$ 9,5 bilhões em ativos. Com a aquisição do Credibanco, em março, e do Bandeirantes agora, o banco engorda R$ 10,9 bilhões, reduzindo à metade a distância que o separava do Itaú no ranking nacional. E a Caixa Geral de Depósitos consegue manter uma presença significativa no Brasil, o que era sua principal preocupação.

O que fez a balança pender definitivamente a favor do Unibanco foi o espaço que ele se dispôs a dar para os portugueses. Como acontece com os alemães do Commerzbank e os japoneses do Dai-Ichi Kangyo, os outros acionistas minoritários, eles terão um departamento só seu dentro da instituição dos Moreira Salles, dirigido por um executivo escolhido diretamente de Lisboa. “A Caixa não queria deixar as empresas portuguesas abandonadas por aqui”, explica o ex-ministro Marcílio Marques Moreira, da Merrill Lynch, que assessorou a CGD na operação. Há um grande filão, aliás, a ser atendido: o das médias empresas lusitanas, que estão chegando aos punhados no mercado brasileiro e precisam de suporte financeiro.

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