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CASTELO
BRANCO: Da CNI, diz que o problema é
se as importações aumentarem
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Chuva
de otimismo
Projeções indicam crescimento e queda da inflação.
Luciano
Dias
Uma
chuva de números vem caindo sobre a economia brasileira.
É uma inflação de previsões que indicam
um horizonte sem turbulências para o País. Nos últimos
dias foram publicados cenários da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), do Banco Central e do BNDES.
Todos eles indicam um futuro de sossego para os brasileiros, mas
o que dizem não é necessariamente igual. O PIB, por
exemplo, varia de 3,5% (BNDES) a 4% (CNI). Inflação
oscila de 6,5% (BNDES) a 5,6% (Banco Central). Já a balança
comercial se equilibra em números que vão de US$ 1,1
bilhão a 3,3 bilhões. Fica a pergunta: a diferença
de percentual faz diferença? Crescer 3,7% ou 4% é
quase o mesmo. O mais importante é que começou um
ciclo virtuoso de crescimento, diz Paulo Levy, coordenador
do Grupo de Conjuntura do Ipea, cuja projeção do PIB
para este ano é de 3,9%. O ex-ministro do Planejamento, Reis
Velloso, vai mais longe. É contra essa onda da bola de cristal:
Previsão não tem fundamento econômico.
Semana passada, vazou uma análise que o BNDES desenvolveu
para planejar os investimentos do banco para os próximos
cinco anos. A inflação, segundo o documento, fecha
o ano em 6,5%. O BNDES, porém, faz questão de destacar
que os números publicados na imprensa não podem ser
interpretados como uma projeção de cenário.
Esse número foi feito em uma semana, com o objetivo
exclusivo de orientar o planejamento do banco, afirma Marcelo
Nardin, chefe do Departamento de Planejamento e Orçamento
do BNDES.
Internet.
A sede desenfreada por informação econômica
tem cerca de 30 anos. Velloso registra o nascimento desse modismo
na década de 70, quando a o dragão da inflação
começou a ganhar força. Com o descontrole do preço,
o mercado passou a demandar informações sobre o futuro
dos índices. Antes disso, o governo era avesso a previsões,
principalmente as de médio prazo. Velloso, porém,
defende as análises oficiais. Ressalta que o governo não
faz previsões. Divulga metas. O professor da PUC-Rio, Luiz
Roberto Cunha, discorda da análise de Velloso. Afirma que
o desenvolvimento de cenários é fundamental para a
economia. Previsões e projeções de metas
são a mesma coisa, afirma. Balança comercial
é o item que apresenta maior volatilidade nas estimativas.
Semana passada, o governo reduziu a projeção de US$
3,5 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O BNDES trabalha
com um saldo de US$ 2 bilhões e a CNI com US$ 1,1 bilhão.
Apesar do declínio, Flávio Castelo Branco, coordenador
da Unidade de Política Econômica da CNI, está
tranqüilo. Enquanto as exportações estiverem
crescendo mais que as importações não vejo
problema, diz. A multiplicação de previsões
também pode ser explicada pela tecnologia. Na opinião
de Levy, a velocidade da Internet deu mais exposição
aos números dos analistas. As previsões sempre
existiram. A forma de divulgação é que ficou
mais ágil, disse. A polêmica é tanta que
alguns economistas evitam fazer qualquer declaração.
O ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, afirma
que sua opinião sobre o tema atingiria muita gente. Pode
acabar em fofoca, disse.
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