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ECONOMIA/CENÁRIOS

Foto: Carlos Goldgrub/Reflexo

CASTELO BRANCO: Da CNI, diz que o problema é
se as importações aumentarem

Chuva de otimismo
Projeções indicam crescimento e queda da inflação.

Luciano Dias

Uma chuva de números vem caindo sobre a economia brasileira. É uma inflação de previsões que indicam um horizonte sem turbulências para o País. Nos últimos dias foram publicados cenários da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Banco Central e do BNDES. Todos eles indicam um futuro de sossego para os brasileiros, mas o que dizem não é necessariamente igual. O PIB, por exemplo, varia de 3,5% (BNDES) a 4% (CNI). Inflação oscila de 6,5% (BNDES) a 5,6% (Banco Central). Já a balança comercial se equilibra em números que vão de US$ 1,1 bilhão a 3,3 bilhões. Fica a pergunta: a diferença de percentual faz diferença? “Crescer 3,7% ou 4% é quase o mesmo. O mais importante é que começou um ciclo virtuoso de crescimento”, diz Paulo Levy, coordenador do Grupo de Conjuntura do Ipea, cuja projeção do PIB para este ano é de 3,9%. O ex-ministro do Planejamento, Reis Velloso, vai mais longe. É contra essa onda da bola de cristal: “Previsão não tem fundamento econômico”. Semana passada, vazou uma análise que o BNDES desenvolveu para planejar os investimentos do banco para os próximos cinco anos. A inflação, segundo o documento, fecha o ano em 6,5%. O BNDES, porém, faz questão de destacar que os números publicados na imprensa não podem ser interpretados como uma projeção de cenário. “Esse número foi feito em uma semana, com o objetivo exclusivo de orientar o planejamento do banco”, afirma Marcelo Nardin, chefe do Departamento de Planejamento e Orçamento do BNDES.

Internet. A sede desenfreada por informação econômica tem cerca de 30 anos. Velloso registra o nascimento desse modismo na década de 70, quando a o dragão da inflação começou a ganhar força. Com o descontrole do preço, o mercado passou a demandar informações sobre o futuro dos índices. Antes disso, o governo era avesso a previsões, principalmente as de médio prazo. Velloso, porém, defende as análises oficiais. Ressalta que o governo não faz previsões. Divulga metas. O professor da PUC-Rio, Luiz Roberto Cunha, discorda da análise de Velloso. Afirma que o desenvolvimento de cenários é fundamental para a economia. “Previsões e projeções de metas são a mesma coisa”, afirma. Balança comercial é o item que apresenta maior volatilidade nas estimativas. Semana passada, o governo reduziu a projeção de US$ 3,5 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O BNDES trabalha com um saldo de US$ 2 bilhões e a CNI com US$ 1,1 bilhão. Apesar do declínio, Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, está tranqüilo. “Enquanto as exportações estiverem crescendo mais que as importações não vejo problema”, diz. A multiplicação de previsões também pode ser explicada pela tecnologia. Na opinião de Levy, a velocidade da Internet deu mais exposição aos números dos analistas. “As previsões sempre existiram. A forma de divulgação é que ficou mais ágil”, disse. A polêmica é tanta que alguns economistas evitam fazer qualquer declaração. O ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, afirma que sua opinião sobre o tema atingiria muita gente. “Pode acabar em fofoca”, disse.

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