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SHIMIZU,
DO TUTOPIA: é hora de garantir
a sobrevivência
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A
primeira fez TCHAN
Falta de receita
força portal brasileiro
a demitir e encerrar produção de conteúdo
Juliana
Simão
Box:
Amazon, símbolo da nova economia, não convence investidor
O furacão
que varreu a Internet nos Estados Unidos não demorou a chegar ao
Brasil. Na última semana, o Mitch digital – como vem sendo chamado
o estrago devastador da Nasdaq na Nova Economia – fez sua primeira
vítima local. O portal Tutopia, que chegou ao Brasil há cinco meses,
encerrou suas atividades como provedor de conteúdo. A partir de
agora, se limitará a ser um provedor gratuito de acesso à rede.
Não fechou as portas, por enquanto. Mas demitiu 9 dos 24 profissionais
que trabalhavam na filial brasileira da empresa. E outras dezenas
de funcionários nos 36 escritórios ao redor do mundo. “Aos olhos
do mercado, pode parecer que a festa acabou. Estamos apenas tentando
garantir nossa sobrevivência”, afirmou Heitor Shimizu, diretor de
conteúdo do portal. O “reposicionamento da empresa no mercado”,
conforme anunciaram seus executivos, visa a concentrar esforços
em publicidade e comércio eletrônico. Ou seja, as áreas que geram
receitas. A meta é transformar o Tutopia em uma empresa rentável
ou, pelo menos, diminuir o vermelho em que ela se encontra. “Todas
as empresas de Internet têm caixa negativo. Nós buscamos rentabilidade
num prazo mais curto”, diz Michel Hannas, presidente do Tutopia
Brasil. Público não falta, garante ele. O Tutopia conta hoje com
950 mil usuários cadastrados. No Brasil, são 200 mil.
Resta saber se é possível continuar sendo um provedor
de Internet sem ter conteúdo próprio. O que
gera clientes é conteúdo", lembra Luciana Hayashi,
analista do Yankee Group. Essa mudança vai contra os
objetivos da Tutopia.
A decisão
não espantou a concorrência. A tendência
é adequar modelos de negócios. Cortar gastos é
conseqüência, afirma Marcos Aranha, presidente
do O Site. Contrariando boatos do mercado, este portal pretende
concentrar seus negócios em conteúdo próprio
e diferenciado. A área editorial cresceu 70% nos últimos
meses e, segundo Aranha, a tendência é aumentar mais.
A estratégia de combate emergencial do Tutopia foi traçada
semanas antes. E não só para o Brasil. O portal, que
opera em 10 países, foi lançado pela IFX Corporation,
empresa de capital aberto com ações em Nasdaq. Logo
após a abertura de capital, em agosto de 99, as ações
da empresa valiam US$ 17. Entre janeiro e março, a IFX valorizou
100%. Em maio a trajetória era outra. Os papéis caíram
para US$ 10. E, antes de abandonar o navio, a empresa mudou a estratégia.
É melhor alterar o foco da empresa enquanto ainda há
dinheiro, do que esperar ele acabar para tomar medidas, diz
Silvio Genesini, sócio da Andersen Consulting.
Há
duas semanas, a Tutopia comemorava um aporte de US$ 20 milhões
do UBS Capital Americas. A verba seria aplicada na expansão
de serviços e em ações de marketing e vendas.
Qual a lógica? Exatamente a (cruel) lógica de mercado.
Em tempos de verbas escassas, é preciso se adaptar e ter
fluxo positivo, para continuar merecendo investimentos. Se
não dá para ser um portal, e competir com gigantes,
tem que definir me-lhor o foco, afirma César Monteiro,
da Ernst & Young. É corajoso realinhar os negócios
a esta altura, mas é isso que os investidores esperam.
Na semana passada, depois do anúncio da Tutopia, um calafrio
percorreu a espinha dorsal do setor. O que se comenta é que
este será o anus terribilis da Net brasileira: quando empresas
sem fôlego terão de mudar ou sair do mercado, ou ambos.
A Tutopia pode ter sido apenas a primeira.
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