Estocolmo
Digital
 |
|
VISTA
DE ESTOCOLMO: a cidade abriga 700 novas empresas de internet
|
Transformações
na economia e na mentalidade
sueca fazem da cidade a capital européia da Internet
Juliana
Simão
Esqueça
São Francisco, Londres, Nova York. Se o seu negócio
é Internet, o lugar da onda é Estocolmo, Suécia.
Ali, movida por uma combinação simultânea de
várias transformações econômicas,
tecnológicas e comportamentais , a rede está
evoluindo de forma mais rápida do que em qualquer outro ponto
do planeta. Quem garante é Paul Saffo, um dos grandes gurus
americanos da cultura virtual. Enquanto, por exemplo, o resto do
mundo começa a testar a transmissão de Internet em
banda larga, os suecos já estão mergulhados no que
chamam de verdadeira banda larga conexões
de cabo ótico que transmitem a velocidades 20 vezes maiores
do que as redes de tevê a cabo. Mais do que isso, eles saltaram
na frente na criação de software e serviços
para a Internet sem fio. As chamadas redes WAP, que permitem acessar
a Internet pelo telefone celular, constituem a tendência mais
recente e explosiva da comunicação global. Quando
se junta essa dianteira técnica à nova cultura empresarial
do país, o resultado é Estocolmo uma cidade
com mais de 700 jovens empresas de Internet, nenhuma vaga em hotéis
ou restaurantes chiques, que produz empreendedores digitais no mesmo
ritmo em que antes produzia funcionários deprimidos. Não
é por outro motivo que a cidade está sendo chamada
de capital européia da Internet.
Um
dos personagens mais influentes dessa geração de tycoons
virtuais é Jonas Birgersson, dono da maior consultoria de
Internet da Europa e a terceira do mundo, a Framfab. Com 29 anos,
informalíssima figura de jeans e botas, ele comanda uma empresa
que vale US$ 4,1 bilhões e se movimenta por Estocolmo de
bicicleta, porque não tem carro. A última reunião
de acionistas da empresa, fiel ao estilo alternativo, foi marcada
no McDonalds mas teve de ser transferida para um cinema
ao lado porque não cabiam na lanchonete as várias
centenas de engravatados interessados em ouvir o jovem empresário.
Birgersson começou na Internet montando uma rede de 25 mil
aficionados de Dungeons e Dragons, um jogo de RPG. Em 1995 abriu
a Framfab e pouco depois criou uma companhia de telecomunicações
especializada em transmissão digital de banda larga. Hoje
Birgersson é uma figura mundial, além de um ícone
da nova economia do seu país. Estamos aqui, na velha,
fria Suécia, lutando contra as melhores cabeças do
mercado americano, disse ele à revista americana Newsweeek.
Lutando com sucesso e sem abrir mão dos valores de
uma sociedade que pouco tem em comum com o lassez faire da cultura
americana. Os milionários suecos da Internet, por exemplo,
não circulam em carrões italianos e nem começaram
a erguer mansões quilométricas. Embora tenha sofrido
reformas radicais nos últimos 10 anos, que abriram seus mercados
financeiros, privatizaram empresas públicas e reduziram os
famosos impostos pagos por empresas e pessoas físicas (permitindo
a explosão de criatividade que se assiste agora), a Suécia
continua apegada ao sistema de amparo social criado na década
de 60. O welfare sueco ainda protege seus 8,5 milhões de
cidadãos do berço à tumba, e provê um
dos melhores sistemas educacionais do mundo o mesmo de onde
estão emergindo geninhos da ciência e da tecnologia
como Birgersson e Jonas Svensson, fundador da Spray, a maior empresa
do planeta de criação de páginas Web.
A
Suécia era vista como uma sociedade falida. Agora estamos
sendo percebidos de forma totalmente distinta, comemora o
primeiro-ministro Goram Persson. No ano passado o país cresceu
4% o dobro da média européia e o desemprego
caiu a 6% da população ativa. A tecnologia digital
é o núcleo dessa retomada, mas o boom vai além
dela. O aquecimento no setor digital está se espalhando para
as áreas de construção e vestimenta, com a
multiplicação de novas grifes com vocação
internacional. Sobretudo, a explosão atinge a indústria
fonográfica. O país já é o terceiro
maior exportador mundial de música pop, atrás apenas
dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. O que isso quer dizer?
Simples: que a nova economia sueca está se movendo por música.
E bytes.
|