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SEU DINHEIRO/ASSET MANAGEMENT
Foto: Gustavo Lourenção
PÓVOA E SUA EQUIPE: reuniões para decidir que ações comprar e quais vender
12 Horas de tensão
Esse é o dia-a-dia de Alexandre Póvoa. Ele trabalha para que o dinheiro de investidores como você sempre cresça. Saiba como é que ele faz isso

Laura Somoggi

Você conhece quem trabalha para os seus investimentos renderem? Quem compra as ações certas na hora certa? Quem escolhe quais papéis devem fazer parte da sua carteira de investimentos? Quem segura as pontas no nervosismo do pregão e executa suas ordens de venda? Há uma série de profissionais nas administradoras de recursos, nas corretoras e nos bancos que têm um papel fundamental nos bons – ou maus – resultados das aplicações de seus clientes. Pessoas de carne e osso, como você. A partir desta edição, DINHEIRO vai publicar uma série de reportagens mostrando como é o cotidiano de quem cuida do seu dinheiro. Qual é a rotina de trabalho deles, como tomam decisões e o que fazem para acertar mais do que errar num mercado que está longe de ser racional.

O primeiro da série é Alexandre Pavan Póvoa, que administra um patrimônio de R$ 500 milhões em fundos de renda variável do ABN Amro Asset Management, empresa de administração de recursos do banco holandês. Póvoa, um ex-jogador de basquete do Flamengo, de 31 anos, desempenha um papel-chave: é ele quem transforma todas as informações que recebe dos analistas, economistas, operadores das mesas, entre muitos outros, em decisões que vão fazer a alegria ou a tristeza dos investidores. Nos fundos de ações, é o gestor que define que papéis devem estar na carteira, em qual proporção e qual é a hora de aumentar ou diminuir o peso de cada ação no portfólio. “Não adianta ter o melhor papel, da melhor empresa, na hora errada”, diz ele. Entre os fundos administrados por Póvoa está o ABN Amro Tele@com (recheado de papéis de empresas de telecomunicações). Este foi um dos fundos mais rentáveis nos últimos três anos, de acordo com a Agrif, empresa que acompanha o desempenho dos fundos do mercado. Rendeu 115,1%, enquanto o Ibovespa valorizou 55,6% no período. Além de seis fundos de ações distribuídos na rede do banco, Póvoa administra fundos de clientes de private bank e clientes institucionais, como fundos de pensão. Também está sob sua responsabilidade um fundo para clientes estrangeiros.

Póvoa precisa filtrar os dados que recebe diariamente do mercado – são mais de 80 e-mails por dia, e um telefonema atrás do outro. São executivos de bancos e corretoras fazendo suas análises. Não é raro que entre os recados na sua secretária eletrônica haja uma avaliação de alguma ação ou de algum movimento do mercado. “Ouço tudo mas não aceito tudo”, diz Póvoa. “Faço minhas próprias projeções.” Para saber que ações tendem a valorizar e, por isso mesmo, devem fazer parte da carteira de um fundo, Póvoa e sua equipe definem quanto as empresas avaliadas estão valendo. A partir daí, calculam qual o preço justo de seus papéis. Se o valor da ação na bolsa está abaixo do preço justo encontrado, a ação pode valorizar e se torna uma boa aposta. Caso contrário, talvez seja hora de vender. Como é impossível acompanhar todas as empresas e todos os setores, Póvoa se reúne regularmente com os analistas de mercado. Cada um cobre uma área: telecomunicações, siderurgia, alimentos, varejo etc.

Além dos encontros com analistas, Póvoa participa diariamente do Comitê de Investimentos. Todas as manhãs, antes da abertura do pregão às 10 horas, Póvoa conversa sobre as expectativas do mercado com os economistas, o diretor da mesa de operações e algum analista. Fazem análises macroeconômicas, discutem juros, câmbio, decisões do governo, notícias dos jornais, trocam suas impressões. Antes disso, Póvoa, que costuma chegar ao escritório pouco depois das 7 da manhã, já leu três jornais, deu uma olhada nos terminais das agências de notícias Bloomberg e Broadcast e deixou suas ordens de compra e venda preparadas. Se não houver nenhuma grande mudança de perspectiva no Comitê, é só mandar executar assim que a bolsa abrir. Muitas vezes, as ordens são preparadas na noite anterior. O administrador não costuma largar o batente antes das 7 e meia da noite. São mais de 12 horas ligado em tudo o que ocorre no mercado. “É impossível não se estressar. Mas os 11 anos de basquete me ensinaram a viver os altos e baixos de forma equilibrada”, diz ele.

Reuniões, telefonemas e leituras de relatórios não são tudo. Póvoa também recebe analistas de outros bancos três vezes por semana e, mais raramente, executivos de empresas cujos papéis fazem parte de seus fundos. Algumas vezes também visita empresas. “Prefiro quando elas vêm até aqui. Perco menos tempo”. diz. A formação em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e o MBA na New York University ajudam Póvoa a unir duas visões diferentes do mercado. De um lado, a dos analistas, que olham o mundo com horizonte de tempo mais largo. Do outro, a dos operadores que, encharcados da adrenalina dos pregões, ficam totalmente contaminados com os movimentos diários e acham que o mercado é soberano. “É preciso entender o desempenho das empresas no longo prazo sem perder de vista o sobe-e-desce diário”, diz Póvoa. “Esse trabalho não é só técnico. Tem um pouco de arte”. Talvez o que melhor traduza a sua postura seja a frase do ex-presidente americano Theodore Roosevelt que ele tem sobre a mesa: “É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”

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