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PÓVOA
E SUA EQUIPE: reuniões para decidir que ações comprar e quais
vender
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Horas de tensão
Esse é o dia-a-dia
de Alexandre Póvoa. Ele trabalha para que o dinheiro de investidores
como você sempre cresça. Saiba como é que ele faz isso
Laura
Somoggi
Você
conhece quem trabalha para os seus investimentos renderem? Quem
compra as ações certas na hora certa? Quem escolhe
quais papéis devem fazer parte da sua carteira de investimentos?
Quem segura as pontas no nervosismo do pregão e executa suas
ordens de venda? Há uma série de profissionais nas
administradoras de recursos, nas corretoras e nos bancos que têm
um papel fundamental nos bons ou maus resultados das
aplicações de seus clientes. Pessoas de carne e osso,
como você. A partir desta edição, DINHEIRO vai
publicar uma série de reportagens mostrando como é
o cotidiano de quem cuida do seu dinheiro. Qual é a rotina
de trabalho deles, como tomam decisões e o que fazem para
acertar mais do que errar num mercado que está longe de ser
racional.
O
primeiro da série é Alexandre Pavan Póvoa,
que administra um patrimônio de R$ 500 milhões em fundos
de renda variável do ABN Amro Asset Management, empresa de
administração de recursos do banco holandês.
Póvoa, um ex-jogador de basquete do Flamengo, de 31 anos,
desempenha um papel-chave: é ele quem transforma todas as
informações que recebe dos analistas, economistas,
operadores das mesas, entre muitos outros, em decisões que
vão fazer a alegria ou a tristeza dos investidores. Nos fundos
de ações, é o gestor que define que papéis
devem estar na carteira, em qual proporção e qual
é a hora de aumentar ou diminuir o peso de cada ação
no portfólio. Não adianta ter o melhor papel,
da melhor empresa, na hora errada, diz ele. Entre os fundos
administrados por Póvoa está o ABN Amro Tele@com (recheado
de papéis de empresas de telecomunicações).
Este foi um dos fundos mais rentáveis nos últimos
três anos, de acordo com a Agrif, empresa que acompanha o
desempenho dos fundos do mercado. Rendeu 115,1%, enquanto o Ibovespa
valorizou 55,6% no período. Além de seis fundos de
ações distribuídos na rede do banco, Póvoa
administra fundos de clientes de private bank e clientes institucionais,
como fundos de pensão. Também está sob sua
responsabilidade um fundo para clientes estrangeiros.
Póvoa
precisa filtrar os dados que recebe diariamente do mercado
são mais de 80 e-mails por dia, e um telefonema atrás
do outro. São executivos de bancos e corretoras fazendo suas
análises. Não é raro que entre os recados na
sua secretária eletrônica haja uma avaliação
de alguma ação ou de algum movimento do mercado. Ouço
tudo mas não aceito tudo, diz Póvoa. Faço
minhas próprias projeções. Para saber
que ações tendem a valorizar e, por isso mesmo, devem
fazer parte da carteira de um fundo, Póvoa e sua equipe definem
quanto as empresas avaliadas estão valendo. A partir daí,
calculam qual o preço justo de seus papéis. Se o valor
da ação na bolsa está abaixo do preço
justo encontrado, a ação pode valorizar e se torna
uma boa aposta. Caso contrário, talvez seja hora de vender.
Como é impossível acompanhar todas as empresas e todos
os setores, Póvoa se reúne regularmente com os analistas
de mercado. Cada um cobre uma área: telecomunicações,
siderurgia, alimentos, varejo etc.
Além
dos encontros com analistas, Póvoa participa diariamente
do Comitê de Investimentos. Todas as manhãs, antes
da abertura do pregão às 10 horas, Póvoa conversa
sobre as expectativas do mercado com os economistas, o diretor da
mesa de operações e algum analista. Fazem análises
macroeconômicas, discutem juros, câmbio, decisões
do governo, notícias dos jornais, trocam suas impressões.
Antes disso, Póvoa, que costuma chegar ao escritório
pouco depois das 7 da manhã, já leu três jornais,
deu uma olhada nos terminais das agências de notícias
Bloomberg e Broadcast e deixou suas ordens de compra e venda preparadas.
Se não houver nenhuma grande mudança de perspectiva
no Comitê, é só mandar executar assim que a
bolsa abrir. Muitas vezes, as ordens são preparadas na noite
anterior. O administrador não costuma largar o batente antes
das 7 e meia da noite. São mais de 12 horas ligado em tudo
o que ocorre no mercado. É impossível não
se estressar. Mas os 11 anos de basquete me ensinaram a viver os
altos e baixos de forma equilibrada, diz ele.
Reuniões,
telefonemas e leituras de relatórios não são
tudo. Póvoa também recebe analistas de outros bancos
três vezes por semana e, mais raramente, executivos de empresas
cujos papéis fazem parte de seus fundos. Algumas vezes também
visita empresas. Prefiro quando elas vêm até
aqui. Perco menos tempo. diz. A formação em
economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e o MBA na
New York University ajudam Póvoa a unir duas visões
diferentes do mercado. De um lado, a dos analistas, que olham o
mundo com horizonte de tempo mais largo. Do outro, a dos operadores
que, encharcados da adrenalina dos pregões, ficam totalmente
contaminados com os movimentos diários e acham que o mercado
é soberano. É preciso entender o desempenho
das empresas no longo prazo sem perder de vista o sobe-e-desce diário,
diz Póvoa. Esse trabalho não é só
técnico. Tem um pouco de arte. Talvez o que melhor
traduza a sua postura seja a frase do ex-presidente americano Theodore
Roosevelt que ele tem sobre a mesa: É muito melhor
arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória,
mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres
de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque
vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória
nem derrota.
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