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NEGÓCIOS/ENERGIA
Prensa Três
PAULO AFONSO: A principal usina, responsável por 37% da energia produzida pela Chesf, será a grande vedete da privatização

Chesf volta a sonhar
Governo coloca R$ 1,8 bi na empresa e prepara a venda

Rosenildo Gomes Ferreira, de Recife

As cataratas de Paulo Afonso, no recôndito agreste nordestino, nunca tiveram a projeção e beleza de sua correspondente do Sul, Foz do Iguaçu, ou das quedas do Niágara, mas conquistaram algum magnetismo na população ribeirinha que lhe circunda. Cinco décadas depois de alimentação constante à hidrelétrica de mesmo nome, não há por aquelas bandas um único morador que não nutra por ela o sentimento de gratidão eterna e lhe atribua poderes milagrosos: Paulo Afonso traz água e luz a toda gente. São tantos a depender dela que, somados, há quem diga, dariam uma Argentina. Paulo Afonso, as cataratas e o seu entorno, que montam o complexo da Companhia Hidro elétrica do São Francisco (Chesf), está prestes a mudar de mãos. E desde o primeiro dia que se espalhou a notícia, levas de nordestinos temeram pelo pior. Indagaram: o que farão os estrangeiros em nossa bacia d'água? O temor chegou ao ponto de vigílias constantes serem organizadas à porta da usina. Na semana passada, parecia que o receio estava se dissipando. Boas novas de investimento, lançadas pelo próprio governo federal, trouxeram algum alento. O complexo Chesf vai ganhar mais R$ 700 milhões em investimentos em suas linhas de transmissão. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso esteve lá na semana passada para acionar a chave da parte do novo sistema que já está pronto. Ali, foi investido R$ 1,1 bilhão nos últimos anos. A Chesf é a maior geradora de energia do País, com 10.705 megawatts, suficientes para atender todo o Nordeste. A companhia tem 14 usinas hidrelétricas e duas termelétricas. Nos próximos dias, o Conselho Nacional de Desestatização (CND) vai definir o modelo de venda da Chesf. A companhia entra no programa de privatização em um momento singular. Depois de 10 anos de prejuízos, volta ao azul nos balanços. “Nossa projeção esse ano é ter lucro de R$ 300 milhões”, estima o presidente da Chesf, Mozart Siqueira Campos Araújo.

Quem assumir o controle da Chesf vai ter em mãos uma empresa que opera com nível elevado de excelência. No ano passado, as interrupções no fornecimento de energia somaram apenas 48 minutos. Para chegar a tal ponto, contudo, a companhia investiu pesado e acumulou um passivo de R$ 5,3 bilhões. O balanço de 31 de março exibia ativos de R$ 17,1 bilhões e patrimônio líquido de R$ 10,2 bilhões. “ O que falta é melhorar o perfil de endividamento”, avalia Isabel Ramos, do Opportunity. O modelo de venda prevê a divisão da companhia em unidades autônomas:duas empresas de Geração (formada pelos complexos de Paulo Afonso e Xingó) e uma de Transmissão. As usinas de Sobradinho e Itaparica ficarão sob administração federal e vão herdar o nome Chesf. Esta fórmula será vital para dobrar a bancada nordestina, contrária à venda. Uma boa amostra da articulação que une oposicionistas e parlamentares da base aliada foi a aprovação, na Comissão de Economia da Câmara, do projeto do deputado Clementino Coelho (PPS-PE) excluindo a companhia do programa de desestatização. A medida, contudo, é vista como uma manobra sem efeito prático. Ou seja, o governo deixou o projeto passar, mas sabe que o parlamentar não terá forças para levá-lo adiante. De qualquer forma, no mercado poucos acreditam que a Chesf será vendida antes de 2001.

Folha Imagem   Foto: Geyson Magno/Agência Lumiar

PRESSÁO: FHC vai à companhia de Araújo e aciona
o novo sistema de transmissão

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