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NEGÓCIOS/FÓRMULA MÁGICA
Foto: Kiko Ferrite
FÁBIO GUARANÁ: Investimentos de R$ 1 milhão em nova fábrica

Um real que vale alguns milhões
O caminho das pedras para fazer fortuna com produtos populares e muito baratos foi descoberto por ousados empresários que estão fazendo escola e mostrando que dá para enfrentar os grandes fabricantes

Carlos Sambrana e Rosenildo G. Ferreira

Levante a mão aquele que, ao se deparar com um produto simples, barato, usado no cotidiano de milhares de pessoas, nunca tenha se perguntado “por que eu não pensei nisso antes” e, em seguida, sentisse um forte desejo de cumprimentar o autor da idéia. Canudos flexíveis, por exemplo, um artigo indispensável em qualquer lanchonete ou bar que se preze. Quem fabrica? E quem faz os palitos de dente, instrumento para saciar o tradicional (e discutível) hábito brasileiro? Também teve quem pensou em colocar a fitinha do Senhor do Bonfim em escala industrial e confeccionar pentes de plástico que viraram vedete nas barraquinhas de camelôs. A lista é enorme: fitas adesivas, rolos de papel alumínio, vassouras e toda sorte de produtos de baixo, baixíssimo valor agregado. Tem até terço para rezar em formato de cartão de crédito. Por que você não pensou nisto antes?
Conheça Waldir, João, Oswaldo, Waldemar, Luís e Fábio. São alguns membros do restrito clube de empresários que, a partir de uma idéia simples, uma estrutura industrial modesta, parcos recursos e muito suor, fizeram fortuna com produtos que custam menos de um real, vendidos no atacado ou varejo. Todos eles já ultrapassaram a barreira do milhão de reais em faturamento. Alguns, com mais tempo de mercado e acesso mais fácil ao crédito, conseguiram montar um bom parque fabril. Outros, ainda estão instalados em galpões na periferia ou no interior de São Paulo, com uma estrutura enxutíssima: poucos funcionários e poucas máquinas, adquiridas de segunda mão. Acompanhe a seguir a trajetória dos empresários “pop” e a fórmula deles para transformar um real em milhões:

Canudo milionário
Quando o empresário Waldir Fernandes, 48 anos, avisou que iria montar uma fábrica de canudos e de espetinhos de bambu para churrasco há seis anos, ouviu sorrisinhos abafados de pessoas próximas. Hoje, quem ri é Waldir. Sua companhia, a Empresa Brasileira de Plásticos Ltda. fatura R$ 3 milhões por ano, vendendo 1,8 bilhão de unidades de canudos e 108 milhões de espetinhos de bambu. Tudo começou durante uma conversa entre Waldir Fernandes e sua esposa Lurdes. Dispostos a arriscar as economias no ramo industrial, eles souberam que um microempresário da cidade de Itapira (SP) estava se desfazendo de sua pequena fábrica de canudos. A operação resumia-se a uma máquina. O negócio foi fechado por módicos R$ 23 mil, pagos em suaves prestações. “Cheguei a trabalhar de domingo a domingo por dois anos para dar conta das encomendas ”, lembra Fernandes. Nesta época, Fernandes assumiu as tarefas de operar a máquina, embalar o produto e tentar vendê-lo a pequenos comerciantes da periferia de São Paulo. Para alavancar o negócio, ele decidiu reinvestir os lucros na própria fábrica. “Vamos partir para a produção de móveis e tábuas para piso, feitos de bambu”, diz.

Ajuda alemã
Uma feira de máquinas, na Alemanha, mudou os destinos da Camponesa Industrial Ltda., fabricante de vassouras e rodos. Foi lá que o empresário João Baptista Forlani Filho comprou, por US$ 120 mil, uma tufadeira (usada para colocar piaçava ou fibra sintética na base do produto). Com este equipamento em mãos ele pôde dar novo ritmo à empresa, credenciando-a a brigar com as líderes Condor e Bettanin. E com preços 10% menores. Da fábrica de Forlani saem cerca de 112 mil vassouras e rodos por mês, que garantem faturamento em torno de R$ 3 milhões ao ano. Forlani ampliou a linha para outros artigos de limpeza (tais como pá para lixo, escova e desentupidor de pia). Para suportar a demanda, ele abandonou o velho galpão e instalou-se em outro de 1.300 metros quadrados no mesmo bairro.

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