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CASA DO ZEZINHO: Parceria com multinacional leva aulas de
dança e teatro a crianças carentes
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Volta
olímpica na violência
Xerox monta
vila esportiva na periferia paulistana
Ricardo
Osman
O Parque
Santo Antônio, em Campo Limpo, periferia de São Paulo,
é um dos locais mais pobres e violentos da cidade. Na delegacia
da região, registra-se um homicídio a cada dois dias
e um roubo de carro a cada seis horas. À noite, as mães
não permitem que as crianças andem nas ruas, por causa
dos constantes tiroteios. À luz do dia, o tráfico
tenta seduzir os adolescentes, contratando-os por R$ 50 para entregar
drogas. Nas redondezas está o Jardim Ângela, endereço
de maior criminalidade de São Paulo. Ao todo, são
300 mil habitantes espalhados por 55 favelas, e nenhuma área
de lazer nenhuma! Neste cenário desolador, será
erigido um templo ao esporte. A Xerox vai construir ali, ainda este
ano, uma Vila Olímpica, com capacidade para atender até
duas mil crianças e adolescentes. Os acertos finais para
o início das obras estão sendo feitos com o governo
do Estado, que deverá ceder terreno da Companhia de Desenvolvimento
Habitacional e Urbano (CDHU). Pistas de atletismo, campo de futebol,
piscinas vão colorir a paisagem da periferia. Somente para
a manutenção da Vila, no ano que vem, data da inauguração,
estão previstos US$ 500 mil.
O projeto
será idêntico ao que funciona há 15 anos no
morro da Mangueira, no Rio. A primeira Vila foi prestigiada, em
1997, com a visita do presidente americano, Bill Clinton, e de Pelé.
É um projeto bem-sucedido que absorve hoje US$ 1 milhão
por ano. A versão paulista será em parceria com a
Casa do Zezinho, uma cooperativa educacional que atende a 320 crianças
e adolescentes nesta região e é dirigida pela pedagoga
Dagmar Garroux, a tia Dag. A Casa já é parceira da
Xerox em projetos culturais, como aulas de música, dança
e cerâmica para os jovens um patrocínio de R$
448 mil. Nossa meta agora é São Paulo. Até
o fim deste ano a Vila Olímpica estará pronta, vai
funcionar de segunda a segunda também como local de recreação,
conta José Pinto Monteiro, diretor de Assuntos Corporativos
da Xerox. Para dar certo, o projeto vai exigir o envolvimento
de toda a comunidade. A empolgação na Casa do
Zezinho já é grande. Com a Vila, nossas crianças
vão subir ao pódio na Olimpíada de 2004,
assegura tia Dag. As competições de Sydney, em setembro,
serão assistidas pela televisão com atenção
redobrada.
Juliana Aparecida Ramos, de 10 anos, é uma freqüentadora
típica da Casa. Ela vive com a mãe e dois irmãos
em um quartinho no Parque Santo Antônio, acorda
de madrugada para ir ao colégio e à noite é
responsável pela limpeza doméstica. À tarde,
tem a folga da dura realidade: almoça, descansa e tem aulas
de piano bancadas pela multinacional. Juliana e suas amigas Gisele
Ribeiro, 9 anos, Daiane Alves, 9 anos, e Carol de Souza, 10 anos,
têm em comum o temor da violência das ruas. Sempre
ouvimos tiros à noite, conta Daiane. A Casa do Zezinho
e a Xerox querem formar Cidadãos, com C maiúscula.
Para Monteiro, a criança que aprende a tocar um instrumento,
não pegará jamais em armas. Com o esporte, o raciocínio
é o mesmo. Em vez da correria das ruas, a vitória
nos cem metros, e em vez das brigas, a garra nas quadras. Surge
na periferia de São Paulo, em meio a um cenário de
absurda violência, a oportunidade dos sonhos olímpicos
das crianças carentes.
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