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LUXO
PARA POUCOS: Equipamento moderno e acabamento sofisticado
elevam o preço do carro a R$ 400 mil
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A
fera da lama
Hummer é o preferido
em Hollywood. No Brasil, apenas seis empresários têm esse jipe na
garagem
Fernando
Neves
Feio,
forte e formal. A definição foi criada para o ator
John Wayne, mas se encaixa como uma luva no jipe Hummer. O modelo,
chamado inicialmente de sucessor do tradicional Jeep, tem poucas
semelhanças com o clássico. Como o Jeep, o Hummer
não conhece obstáculos, supera-os. Transporta metade
do seu peso em carga e foi desenvolvido para o exército americano.
E acabaram-se aí as semelhanças. O modelo, ao contrário
do Jeep, é a imagem da brutalidade sobre rodas. São
quase quatro toneladas de aço, alumínio e outros componentes
que, reunidos a sofisticado equipamento e movidos por um poderoso
motor turbo-diesel, custam em média no Brasil R$ 400 mil.
Uma fortuna que desde sua chegada ao País, em 1998, só
foi paga por seis pessoas.
O Hummer foi criado pela AM General sob encomenda para o exército
americano, no final dos anos 80. Serviu o país durante a
Guerra do Golfo, onde tornou-se conhecido. Isso estimulou a empresa
a criar uma versão civil, cuja produção foi
entregue à General Motors. Mesmo sendo dona de marcas elegantes
como a Cadillac, a GM não mudou um parafuso no projeto do
veículo. O carro é feio mesmo, admite
o diretor-superintendente da Hummer do Brasil, Paulo Fernando Marques.
O jipe é quadrado como um caixote e largo como um ônibus.
Seu desenho lembra os atrasados Laika, aqueles sedãs vendidos
pela montadora russa Lada que desembarcaram por aqui no início
dos anos 90. Verdade seja dita: ninguém se interessa pelo
jipe por seu estilo. O Hummer atrai porque reúne brutalidade
e alta tecnologia. Um bom exemplo é o sistema que permite
inflar e desinflar os pneus sem sair do veículo, um equipamento
capaz de adaptar o carro a qualquer tipo de terreno. Acabamento
de luxo, com bancos em couro e console com detalhes em madeira,
dão conforto ao veículo mas elevam o preço
dele à estratosfera. Uma olhada na lista de proprietários
dá uma idéia do tipo de pessoa que compra o Hummer.
Nem só os brutos Mike Tyson e Arnold Schwarzenegger amam
o veículo, mas também figuras mais singelas, como
Ted Turner, da rede CNN; e Walter Hewlett, da HP, se encantaram
por ele. Em comum, todos têm contas bancárias bem gordas.
No
Brasil, os endinheirados empresários que fizeram o cheque
de pagamento pelo carro preferem o anonimato. Nem mesmo nos encontros
dos amantes de trilhas eles aparecem. Ver um Hummer entre os tradicionais
jipes é impossível. Até porque o veículo
não pode disputar provas com os demais 4x4 em caminhos fora-de-estrada
por uma razão simples: ele é muito grande e não
cabe nas trilhas. O Hummer faz suas próprias trilhas,
diz Marques. No Brasil o estoque do carro é de duas unidades.
Um deles já está para ser entregue. Foi comprado pelo
primeiro cliente da marca no País que vai trocar o seu jipe
por um modelo 2000. Isso significa que em breve o mercado terá
à disposição um Hummer semi-novo. O preço
continuará astronômico: cerca de R$ 320 mil. Afinal,
mesmo usado o Hummer continua sendo um carro para bem poucos.
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