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NEGÓCIOS/AUTOMÓVEIS
Fotos: Gustavo Lourenção
LUXO PARA POUCOS: Equipamento moderno e acabamento sofisticado elevam o preço do carro a R$ 400 mil

A fera da lama
Hummer é o preferido em Hollywood. No Brasil, apenas seis empresários têm esse jipe na garagem

Fernando Neves

Feio, forte e formal. A definição foi criada para o ator John Wayne, mas se encaixa como uma luva no jipe Hummer. O modelo, chamado inicialmente de sucessor do tradicional Jeep, tem poucas semelhanças com o clássico. Como o Jeep, o Hummer não conhece obstáculos, supera-os. Transporta metade do seu peso em carga e foi desenvolvido para o exército americano. E acabaram-se aí as semelhanças. O modelo, ao contrário do Jeep, é a imagem da brutalidade sobre rodas. São quase quatro toneladas de aço, alumínio e outros componentes que, reunidos a sofisticado equipamento e movidos por um poderoso motor turbo-diesel, custam em média no Brasil R$ 400 mil. Uma fortuna que desde sua chegada ao País, em 1998, só foi paga por seis pessoas.

O Hummer foi criado pela AM General sob encomenda para o exército americano, no final dos anos 80. Serviu o país durante a Guerra do Golfo, onde tornou-se conhecido. Isso estimulou a empresa a criar uma versão civil, cuja produção foi entregue à General Motors. Mesmo sendo dona de marcas elegantes como a Cadillac, a GM não mudou um parafuso no projeto do veículo. “O carro é feio mesmo”, admite o diretor-superintendente da Hummer do Brasil, Paulo Fernando Marques. O jipe é quadrado como um caixote e largo como um ônibus. Seu desenho lembra os atrasados Laika, aqueles sedãs vendidos pela montadora russa Lada que desembarcaram por aqui no início dos anos 90. Verdade seja dita: ninguém se interessa pelo jipe por seu estilo. O Hummer atrai porque reúne brutalidade e alta tecnologia. Um bom exemplo é o sistema que permite inflar e desinflar os pneus sem sair do veículo, um equipamento capaz de adaptar o carro a qualquer tipo de terreno. Acabamento de luxo, com bancos em couro e console com detalhes em madeira, dão conforto ao veículo mas elevam o preço dele à estratosfera. Uma olhada na lista de proprietários dá uma idéia do tipo de pessoa que compra o Hummer. Nem só os brutos Mike Tyson e Arnold Schwarzenegger amam o veículo, mas também figuras mais singelas, como Ted Turner, da rede CNN; e Walter Hewlett, da HP, se encantaram por ele. Em comum, todos têm contas bancárias bem gordas.

No Brasil, os endinheirados empresários que fizeram o cheque de pagamento pelo carro preferem o anonimato. Nem mesmo nos encontros dos amantes de trilhas eles aparecem. Ver um Hummer entre os tradicionais jipes é impossível. Até porque o veículo não pode disputar provas com os demais 4x4 em caminhos fora-de-estrada por uma razão simples: ele é muito grande e não cabe nas trilhas. “O Hummer faz suas próprias trilhas”, diz Marques. No Brasil o estoque do carro é de duas unidades. Um deles já está para ser entregue. Foi comprado pelo primeiro cliente da marca no País que vai trocar o seu jipe por um modelo 2000. Isso significa que em breve o mercado terá à disposição um Hummer semi-novo. O preço continuará astronômico: cerca de R$ 320 mil. Afinal, mesmo usado o Hummer continua sendo um carro para bem poucos.

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