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NEGÓCIOS/PERFIL
Foto: Gustavo Lourenção
SUCESSO: Investimento de R$ 100 milhões em fibra ótica e prédios inteligentes

Qual é a do Lincoln?
Segredos do novo rei do vale do silício brasileiro

Juliana Almeida

Quando começou a atrair empresas de tecnologia para seus prédios, há dois anos, o bairro paulistano de Vila Olímpia ganhou o apelido high tech de Vila do Silício, em alusão ao Silicon Valley americano. A denominação agora foi reconhecida mundialmente. A revista americana Wired, a bíblia do setor, mostrou em sua última edição o endereço de 46 novos centros de tecnologia que seguem os padrões do Silicon Valley. Dois deles ficam no Brasil: em Campinas e na Vila Olímpia.

Por trás do sucesso do até então modesto bairro paulistano está um “garotão” de 40 anos chamado Lincoln Pereira da Cunha Filho, irmão do ex-corredor de Fórmula Indy, André Ribeiro, e herdeiro da Gazeta do Povo e da TV Paranaense. Lincoln moldou sua carreira no sistema financeiro e participou da fundação do banco Opportunity, de Daniel Dantas. Mas trocou a calculadora pelo ramo imobiliário. A aventura de Lincoln no novo setor começou com a construção do empreendimento comercial Atrium I, em 1990. “Nesta época procurávamos uma área carente de prédios de escritórios”, conta o empresário. Ele achou mais que isso. Encontrou Marcos Moraes, filho de Olacyr, o rei da soja.

Marcos tinha um problema: precisava de cabos de fibra ótica no prédio onde criou o provedor Internetcom. Pediu a Lincoln uma solução. O empresário aceitou o desafio, visitou o Vale do Silício e trouxe modernos equipamentos. A cria de Moraes cresceu, transformou-se no Zip.net e mudou-se dali. E Lincoln abriu um novo negócio: a Atrium Telecom. Hoje, a Vila Olímpia concentra 130 empresas de alta tecnologia, sendo 48 de Internet, três de tevê a cabo e cinco de telecomunicação, entre outras.

O segredo do sucesso está escondido nos porões dos edifícios e nos caminhos subterrâneos das ruas. Ali pode ser encontrada a maior parte dos R$ 100 milhões investidos na vila: quatro quilômetros de cabos de fibra ótica que percorrem pelo menos 16 edifícios da região e possibilitam a troca de dados e voz em alta velocidade. Para se ter uma idéia, são processadas na área 3,8 milhões de ligações por mês, o equivalente a uma cidade com 100 mil assinantes. Nos prédios inteligentes, os computadores controlam tudo. Da temperatura ambiente ao sistema de alarme. A transferência de dados entre os prédios obedece um sistema americano de segurança, que evita interrupção nas conexões. Os cabos usados para envio e recebimento de mensagens são independentes. Se ocorrer algum problema de transmissão com um deles, o outro fará as duas funções. “Se acontecer qualquer falha temos ainda um sistema de transmissão por microondas”, diz o empresário.

Apesar do aluguel em um desses prédios inteligentes ser 40% superior ao de um edifício convencional, as empresas do ramo não pensam duas vezes para se instalar no bairro. Os técnicos garantem que uma companhia pode se mudar para a vila em apenas 24 horas. Foi por isso que o ex-presidente da Blockbuster, Paulo Silveira, decidiu montar ali seu novo negócio, a Intecom. “Além da infra-estrutura, temos boa parte dos nossos clientes por perto”, afirma. O sucesso da Vila do Silício aguçou o interesse de outros investidores imobiliários. Está prevista a construção de cinco prédios, todos eles com mais de 30 andares e de 60 a 70 mil metros quadrados de área. Lincoln está fazendo escola.

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