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FINANÇAS/MERCADO
POUCA NOVIDADE: Como consultas a astrólogos,
relatórios ficam parecidos

Babalaôs de Wall Street
Analistas fazem previsões com medo de errar

Marcelo Aguiar

Até que ponto as previsões dos bem pagos analistas dos grandes bancos americanos são mais precisas que as de um pai-de-santo? Difícil saber. Entre os economistas das mais famosas instituições, vem prevalecendo a cultura do “melhor errar bem acompanhado do que sozinho”. A máxima não está escrita nos tratados de economia, mas vem se aplicando com perfeição às análises divulgadas pelos grandes bancos de investimento. Embora ouvidas com atenção por investidores de uma ponta a outra do mapa-múndi, na maior parte das vezes elas trazem poucas novidades. É que, para seus autores, é mais confortável repetir o que todos dizem do que correr o risco de passar ridículo devido a uma previsão arrojada, mas fracassada. Os relatórios ficam então muito parecidos uns com os outros, mesmo quando estão todos errados. Como consultas a astrólogos ou videntes, são repletos de generalidades.

Por pura diversão, o diretor de um banco americano no Brasil comparou os relatórios dos principais analistas de Wall Street nos últimos meses. Além da frouxidão das previsões, constatou que, como em horóscopo de jornal, o que se diz num dia pode ser esquecido no outro. Foi o que se viu na última virada da economia americana: os bancos, que previam categoricamente uma alta de até um ponto percentual nos juros básicos do país este ano, recuaram todos de uma vez, com a maior naturalidade, e passaram a sustentar que a taxa subirá apenas 0,5 ponto. E, mesmo após mudança tão rápida de opinião, ninguém agora sequer parece ter dúvidas quanto à data: o aumento, asseguram os relatórios praticamente em uníssono, será na reunião do conselho do Federal Reserve em agosto. O CS First Boston cravou no fim de maio a previsão de que os juros subiriam 0,25 ponto na reunião do Fed da quarta-feira passada, mas, às vésperas do encontro, já era parte do consenso que afirmava que a taxa seria mantida estável. A Salomon Smith Barney, na mesma época, sustentava que os juros deveriam subir ainda 1 ponto este ano, mas, como todo mundo, já não acredita em alta de mais de 0,75.

O receio de ir sozinho contra a corrente do mercado acaba fazendo com que economistas deixem a histeria das mesas de operações contaminar as análises. “Ninguém lembra quando você é o único a antecipar uma tendência, mas se erra sozinho corre o risco de pegar fama de imbecil. Ser original envolve muito risco e pouco prêmio”, sintetiza o diretor que estudou os relatórios. Há o risco de se ficar estigmatizado. O Deutsche Bank ficou marcado no Brasil por prever catástrofes financeiras para o País acima do tom do restante do mercado. Nem a desvalorização do real, que poderia ser visto como sinal de que o banco tinha razão, aliviou o estigma.

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