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MOMENTO DE DECISÃO: Os indicadores econômicos e as
informações da sua equipe dizem a FHC
que o País nunca esteve tão bem
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Guerras
de FHC
Presidente reúne
equipe para montar medidas e relançar seu governo na economia
»Na
Galeria de Fotos: A Rotina de FHC
O presidente
Fernando Henrique Cardoso abriu, na semana passada, novas frentes
de batalha. Seu governo está sendo relançado ao completar
o aniversário de seis anos do Plano Real. A retomada começou
com o fatiamento da reforma tributária para permitir sua
votação no Congresso Nacional, aprovando apenas o
que for consensual. Será a primeira demonstração
de que o governo tucano está mesmo disposto a enfrentar a
questão dos impostos. O Fernando Henrique da semana que se
encerrou não deseja passar para a história como o
presidente que enterrou a possibilidade de redefinir o quadro tributário
e muito menos encerrar seu mandato, em 31 de dezembro de
2002, sob uma avalanche de impopularidade e maus indicadores econômicos.
E a hora de evitar que isso ocorra é agora.
Com dinheiro em caixa e uma equipe no Palácio do Planalto
mais operacional e azeitada, FHC espera virar a mesa. Quer que os
juros caiam dos atuais 17,5% para 16% até o final do ano,
o que permitirá um crescimento mínimo de 4% da economia
este ano e nos anos subseqüentes de sua gestão. Seria
um feito. O presidente também decidiu agradar o funcionalismo
ao conceder, via Medida Provisória, um aumento de 10% para
12 categorias. No interior do Palácio do Planalto, o governo
desenha o seguinte cenário para a economia: conta com uma
inflação de 6% para este ano, 4% para 2001 e espera
encerrar o último ano FHC com uma inflação
anual de apenas 3,5% -- com uma margem de erro de 2%, para cima
ou para baixo, que permite alguma flexibilidade em um período
recheado de eleições. O
que muda no discurso da estabilidade econômica é a
percepção de que o sinal da economia de mercado está
mudando. Governos de todo o mundo estão convencidos de que
precisam intervir mais para flexibilizar o fundamentalismo de mercado.
É nessa onda que vai surfando a gestão FHC em busca
de novos resultados. Caiu, por exemplo, o dogma do salário
mínimo: com todas as limitações impostas pelos
INSS, o executivo se comprometeu a apresentar no próximo
ano uma proposta de aumento real do mínimo. E tem mais. Estuda-se,
ainda que timidamente, medidas de estímulo à criação
de novas vagas, como as que já foram adotadas pelo governo
francês. O
presidente tem dito a seus assessores que quer tratar o desemprego
como prioridade número um. Empresários que visitaram
o presidente na quarta-feira, 28, ouviram dele a garantia de que,
feita a lição de casa, o País está pronto
para reaquecer os motores e o primeiro sinal disso foi a
redução da taxa de juros, que deve cair ainda mais.
Esse movimento para frente, que pretende recolocar FHC na trilha
aberta por Juscelino Kubitschek, depende, porém, da suave
aterrissagem da economia americana e de que fatores externos não
venham causar turbulências no mercado interno. Sem crescimento
e contas públicas ajustadas, não há como o
governo FHC estabelecer metas e realizar projetos na área
social. O presidente já confidenciou a interlocutores que
se a economia americana descarrilar, haverá muito pouco o
que fazer. Admirador de Alan Greenspan, o presidente do Banco Central
americano, FHC acredita numa suave desaceleração da
economia dos EUA, sem seqüelas espetaculares para os seus vizinhos
do Cone Sul.
Melhor
momento. É fato que seu gabinete nunca esteve tão
otimista como nos últimos dias que antecederam o aniversário
do Real. Acredita-se, no alto escalão, que a economia atravessa
seu melhor momento desde o lançamento do Plano. Do general
Alberto Cardoso ao ministro do Gabinete Civil, Pedro Parente, passando
pelo comedido ministro da Secretaria Geral da Presidência,
Aloysio Nunes, o clima é do mais absoluto otimismo. O
próximo ano é de mudanças no social,
informa o ministro Nunes. Será a última cartada de
um governo que amarga índices de popularidade próximos
ao chão. Já há quem veja uma tênue luz
no fim do túnel. É o caso do secretário de
Comunicação, Andréa Matarazzo. Ciclotímico,
ele anda animado com o fato de as últimas pesquisas terem
aumentado em 6% os níveis de ótimo e bom e 11% o de
regular. Na mesma pesquisa, o índice de desaprovação
caiu em 15%. Em seu conjunto, as boas notícias representam
ainda migalhas de popularidade, fruto de um governo prisioneiro
de uma política econômica que combina altas taxas de
juros com endividamento externo e redução de gastos
públicos. É desse cerco que o governo pretende escapar.
E só conseguirá de uma maneira: crescendo, crescendo,
crescendo.
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