CAPA
 ÍNDICE
 EDITORIAS
 A SEMANA
 E-COMMERCE
 ECONOMIA
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 FINANÇAS
 MERCADO DIGITAL
 MÍDIA & CIA.
 MOEDA FORTE
 NEGÓCIOS
 PODER

 SEU DINHEIRO

 CANAIS
 COLUNAS/ARTIGO
 CONEXÃO DIRETA
 ESPECIAIS/MULTIMÍDIA
 GALERIA DE FOTOS

BUSCA
 
 


ÍNDICE DAS BOLSAS
Clique aqui

 

ECONOMIA/MARKA-FONTECINDAM
Foto: Kiko Ferrite
PREÇO ALTO: “Somos julgados pelos fracassos. Estamos sendo massacrados”, diz Tereza Grossi

A defesa de Tereza
No centro do escândalo de R$ 1,5 bi, diretora do BC conta a sua versão

Estela Caparelli e Expedito Filho

Tereza Grossi, diretora de Fiscalização do Banco Central, encerrou o voto de silêncio que lhe foi imposto pelos advogados. Ela é o principal alvo do Ministério Público no processo sobre o socorro de R$ 1,5 bilhão aos bancos Marka e FonteCindam. Na semana passada, ela foi convocada para depor em uma ação de improbidade que corre na 22 a Vara em Brasília. Antes disso, a ex-chefe interina da Fiscalização resolveu defender-se da acusação de comandar a operação de ajuda às duas instituições. “A posição era a seguinte: o banco está quebrado, é liquidação.” A declaração da diretora, dada em entrevista à DINHEIRO na tarde do último dia 29, é semelhante à da equipe de fiscais do BC que estavam em fevereiro do ano passado na sede do Marka, no Rio de Janeiro. À Polícia Federal, em depoimentos revelados com exclusividade na semana passada pela DINHEIRO, os fiscais afirmaram que o Marka deveria ser liquidado. Tereza afirma que a responsabilidade sobre a polêmica operação foi da diretoria do BC na época, então composta pelo diretor de Fiscalização Cláudio Mauch e pelo diretor da Área Internacional, Demosthenes Madureira Pinho Neto. E, claro, pelo presidente do BC, Francisco Lopes. Tereza está abatida. “Não é só a diretora do BC que está sendo atacada. A pessoa também está sendo. Não faz bem ao meu marido, ao meu filho, à minha mãe.”

Ajuda ao Marka – “Estão dizendo que eu sou a única responsável por esta operação do Marka. Não sou, nunca fui e quem entende a estrutura de decisão do BC sabe que um chefe de departamento (na época Tereza era interina) não teria poderes para autorizar uma operação dessa natureza. Dizer que a Tereza é que fez a operação é muito simples. Como é que vão provar que eu é quem fiz a operação da diretoria? Eu não assinei os votos e nem poderia, porque não era diretora na época. Outra área do banco implementou a decisão da diretoria. Essa é a verdade.”

Posição pessoal – “A (minha) posição era a seguinte: o banco está quebrado, é liquidação. Se eu tivesse dito: “Tem que liquidar, tem que liquidar”, eu ia ficar falando “tem que liquidar”... A diretoria optou por não liquidar. Quais os motivos que levaram a diretoria a liquidar eu não sei... A única pessoa da diretoria com quem eu falei foi o dr. Mauch. Eu não falei com os outros diretores.”

Francisco Lopes – “Eu nunca conversei com o Francisco Lopes na minha vida. Pessoalmente, nunca o vi. Eu não falei isso porque não me perguntaram. Estão querendo me impingir uma responsabilidade que nunca foi minha.”

Cláudio Mauch – “Quando a diretoria do BC toma uma decisão, não há como dizer não. Todas as informações sobre a situação do Marka foram levadas à diretoria. A liquidação ou não do Marka foi discutida como o dr. Mauch várias vezes.”

Salvatore Cacciola – “Quando o Cacciola veio ao BC, veio para falar com o Francisco Lopes, que não quis recebê-lo e mandou outra pessoa antendê-lo. O Alexandre (Pundek) o recebeu, relatou para o Chico Lopes o que tinha acontecido e o Mauch me chamou e disse: tem um pessoa tal do banco tal que está com problema. Eu fui e vi. Era eu que estava aqui aquele dia, se não fosse eu, seria outra pessoa.”

Fraude no balanço do Marka – “Você sabe quem mandou fazer esse trabalho de inspeção (no balanço)? Mandei fazer porque ele (Cacciola) cadastrou um balanço no BC que tinha um problema. Essa verificação foi feita aqui em Brasília, e não no Rio de Janeiro. Nós levantamos que havia distorção grande entre o balanço de 1998 e o que ele havia apresentando em janeiro de 1999. Eu estive em uma reunião da qual participaram vários funcionários, inclusive os que assinaram o relatório, onde eu determinei que eles bloqueassem o sistema e verificassem o que havia ocorrido. Mandei fazer isso em março de 1999.”

Limite do cargo – “Minha função era técnica. Hoje, participando da diretoria do banco, eu posso concordar ou discordar. Naquele tempo eu era uma técnica que tinha a função de levantar as informações e levá-las para a diretoria para que ela pudesse decidir melhor. Eu não participei da decisão, nem das reuniões da diretoria. Eles é que devem explicações.”

Modo de decisão – “Eu estava focada em um caso. A diretoria do Banco Central estava examinando um cenário. Eu sabia que havia uma mudança na banda e existia um banco que estava com problemas. Dentro da estrutura hierárquica do BC, um chefe de departamento propõe. Se o diretor concordar com a liquidação, ele submete ao colegiado, a toda a diretoria. Se a diretoria aprova, o presidente baixa o ato.”

Fiscais – “O que foi dito naqueles depoimentos (à Polícia Federal) é que eles fizeram uma reunião e chegaram à conclusão de que deveria haver liquidação. Não cabe à fiscalização avaliar cenários. A fiscalização analisa de forma técnica. Tecnicamente é o seguinte: existia uma instituição financeira que estava numa posição que, dali a alguns dias, iria ficar insolvente.”

Risco sistêmico – “Essa é uma opinião (de que o Marka deveria ser liquidado) deles (os fiscais), que estavam no Rio de Janeiro, que conheciam a situação de forma restrita. A diretoria do Banco Central fez uma avaliação ampla do cenário. Eles definiram que fariam a operação. Um inspetor do BC não tem idéia do montante do mercado de câmbio, o montante da entrada e saída de recursos. A avaliação deles (fiscais) era a minha. A avaliação da diretoria do BC era outra.”

Sucesso versus fracassso – “Nós somos julgados pelos nossos fracassos. Nossos sucessos comemoramos aqui fechados. Nossos fracassos são discutidos pela imprensa e nós somos massacrados.”

LEIA MAIS

Quanto custa a insegurança

A lista negra do CADIN

FGTS correção bilionária e perigosa

O alvo é Chavez

Queda de braço pela Nafta

ENQUETE

O balanço do BC deve
ser revisto?

Sim
Não

Resultados Parciais

 
FÓRUM

O Brasil vive uma crise de energia e há riscos de apagões a partir do próximo ano. Deve haver algum tipo de compensação para empresas e consumidores que ficam no escuro? Como seria?

A carga tributária do País aumentou neste ano. O dinheiro arrecadado foi bem utilizado? Por quê?

EDIÇÕES ANTERIORES
ASSINATURAS
EXPEDIENTE
PUBLICIDADE
FALE CONOSCO
ASSINE A NEWSLETTER

 

© Copyright 1996/2000 Editora Três