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LABASTIDA, DO PRI: O homem da continuidade seria melhor recebido
pelos mercados
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Qual
a cara do futuro?
Resultado da eleição
mexicana pode sacudir mercados do continente
Neste
domingo, dia 2, acontece no México um embate que vai reverberar
no resto do continente. De um lado, para a eleição
presidencial, encontra-se o candidato do Partido Revolucionário
Institucional, o PRI, que controla o país há 71 anos.
Seu nome é Francisco Labastida, mas poderia ser Juan ou Pedro
ou Pablo. Ele é o homem da continuidade do modelo. Representa
cinco anos de crescimento econômico medíocre, abertura
crescente da economia e o clássico abismo de renda do continente.
Além, é claro, da corrupção. Do outro
está Vicente Fox, do Partido de Ação Nacional,
o PAN. Ex-executivo da Coca-Cola, empresário, dono de um
discurso belicoso e populista, ele é uma incógnita
econômica. Promete manter a disciplina fiscal e jura que vai
criar empregos e distribuir renda, com crescimento de 7% ao ano
do PIB. A novidade, em relação ao passado das eleições
mexicanas, é que desta vez a oposição tem chance
de levar. Investiu-se um bilhão de dólares em um esquema
antifraude e a apuração será conduzida por
um junta de especialistas sem conexão com o PRI. Como os
dois candidatos encerraram a campanha empatados, os mercados vão
acordar mais cedo na segunda-feira. Na semana passada o dólar
já disparou em relação ao peso. Se Fox ganhar,
é provável que se ensaie uma daquelas ondas de turbulências
que põem os governos da região em sinal amarelo. Desta
vez com alguma razão.
Fox,
de 57 anos, não explicou a que veio. Sua campanha foi lançada
há dois anos e vem sendo conduzida como a apresentação
de um produto de consumo: bons slogans, frases duras contra a corrupção
e superficialidade na discussão das propostas. Com seus chapéus
de vaqueiro e botas de caubói, o governador de Guanajuato
capturou o anseio de milhões de mexicanos por mudança,
mas governar serão outros quinhentos. A corrupta burocracia
federal de três milhões de funcionários está
presa em cimento nas mãos do PRI, assim como boa parte dos
governos estaduais. Teme-se uma reação violenta desses
estamentos em caso de derrota, sobretudo se ela vier por margem
apertada. A classe média está com Fox, assim como
a comunidade de negócios. Mas onde a eleição
será decidida entre os pobres da cidade e do campo
o PRI leva vantagem. Controla os currais eleitorais das pequenas
localidades e tem a seu favor o conservadorismo atávico dos
mexicanos. Labastida tem pintado Fox como aventureiro e a si mesmo
como o único capaz de conduzir, sem traumas, a transição
a uma economia mais humana. Pode funcionar. Para os mercados, seria
melhor que o diabo conhecido do PRI vencesse. Para os mexicanos,
que convivem com a ditadura partidária mais antiga do mundo,
a vitória de Fox abriria uma porta para o futuro. Menos bem
que não se saiba para onde ele leva.
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