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VOLTA
ÀS AULAS: Computador com jogo educativo recupera o
interesse das crianças pelo estudo
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A
revolução social do Mouse
Projeto mantido
pela USP, com apoio da Intel, Microtec e Petrobras, abre as
portas da Internet para garotos de rua
Fernando
Neves
Elas
chegam aos poucos, acanhadas. São crianças pobres
que passam boa parte do dia nas esquinas da capital paulista, tentando
arrumar algum trocado para ajudar no orçamento
familiar. Entram na sala, sentam-se em frente aos computadores,
olham desconfiadas para o mouse e clicam. Como num passe
de mágica, as dificuldades da vida nas ruas e os problemas
de família ficam para trás. Gosto dos jogos
e de conversar na Internet, diz Emerson, 12 anos. Ele é
uma das crianças que todos os dias utilizam os 16 computadores
instalados na Estação Ciência, complexo educacional
mantido pela USP no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo.
O projeto chama-se Clicar, surgiu em 1996, foi idealizado pela própria
USP e adotado pela Petrobras no ano seguinte. As máquinas
foram doadas pela Intel e pela Microtec. A estatal envia R$ 6.500
por mês para pagar os gastos com material didático
e os salários de dois educadores, um auxiliar e quatro estagiários.
É pouco, muito pouco, sobretudo para aquela que é
a maior empresa brasileira, dona de um faturamento de US$ 22,5 bilhões.
Mas, por outro lado, mostra que a revolução do terceiro
setor pode ser feita com parcos recursos.
No
projeto, as crianças têm livre acesso. Ninguém
cobra horário ou mesmo presença. Nem a matrícula
escolar, uma exigência comum em projetos sociais. A razão
para tanta liberdade é simples. A maior parte das crianças,
por imposição dos pais, passa mais tempo na rua arranjando
dinheiro do que fazendo qualquer outra coisa. Por conta disso, as
famílias não gostam quando elas vão ao Clicar.
Para os pais, o tempo gasto em frente aos computadores significa
menos dinheiro em casa. Assim, não sobra tempo para diversão
ou estudo. Cecília Toloza, coordenadora, explica que é
comum as crianças irem ao projeto escondidas dos pais.
| PARA
COLABORAR |
0xx11-263-7022 |
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A cada
dia, o Clicar recebe uma média de 30 jovens. A maioria, a
exemplo de Emerson, passa pelo menos uma hora em frente ao computador.
Os jogos são imbatíveis na preferência das crianças.
E essa é exatamente a intenção dos organizadores.
Isso porque os jogos escolhidos são paradidáticos,
ou seja, estimulam o aprendizado de matérias como matemática
e português. Com o interesse no ensino renovado, algumas crianças
voltaram à escola. É uma vitória para
nós, afirma Cecília. Outras, tornaram-se sociáveis,
mais dóceis. Eles aliviam as pressões do dia-a-dia
escrevendo textos no computador e brincando na tela, diz Cecília.
Com um mouse na mão, os meninos dos sinais de trânsito
em nada se diferenciam das crianças de classe média.
O próximo passo é expandir a atividade para 100 alunos
e suas famílias. A idéia é fazer com que o
projeto Clicar seja conhecido e incentivado pelos próprios
pais dos garotos de rua. Para a expansão sair do papel, é
necessário um patrocínio de R$ 8 mil mensais. Cecília
explica que o dinheiro será usado para manter os funcionários
e as instalações. Estamos em busca de parceiros,
avisa Cecília. Emerson e seus colegas agradecem.
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