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SURPRESAS:
Ao contrário do que previam as seguradoras, roubos
de carros aumentaram neste ano
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Lucros
roubados
Furtos fazem
seguradoras terem prejuízo e até desistirem do seguro de automóvel
Marcelo
Aguiar
Box:
Mordida de Gigante
A face
mais visível das seguradoras no Brasil é a que está
provocando as piores dores de cabeça nas empresas do setor.
As estatísticas de roubo de carro dispararam e, como conseqüência,
colocaram a carteira de seguros de automóveis da maioria
das companhias no vermelho. Ninguém está ganhando
dinheiro. A margem está próxima do zero ou negativa,
lamenta Julio Bierrenbach, diretor da Real Seguros. O executivo
fala de cadeira: ele mesmo amarga perdas de R$ 6 milhões
no primeiro trimestre do ano com as apólices para carros.
O prejuízo eliminou todo o lucro obtido em outros tipos de
seguro de propriedade, fazendo com que esse segmento fechasse o
trimestre com resultado zero. A situação é
tão grave que treze seguradoras já desistiram de atuar
nesse mercado, e suas carteiras foram absorvidas pela Bradesco e
pela Sul América.
Os
dados sobre a ocorrência de sinistros são muito piores
do que poderia imaginar o mais pessimista dos técnicos. No
fim do ano passado, 35% do preço pago pelos segurados eram
gastos com as indenizações em casos de roubo. Em 1998,
essa parcela era de 28%. Os seguradores apostaram em uma redução
no número de casos neste ano. A previsão saiu pela
culatra: as ocorrências de roubo cresceram 10%. Surpresas
como essa são mortais. Os índices de sinistros ocorridos
em seguros de automóveis costumam ser previsíveis,
o que permite às companhias definir preços e estratégia
de venda. Saltos como esse desmontam todo o planejamento.
A
expectativa era de apenas um pequeno crescimento no número
de roubos na zona metropolitana de São Paulo e do Rio. Mas
houve saltos dramáticos na Grande São Paulo, em Campinas,
Santos, Belo Horizonte, Curitiba e na Baixada Fluminense. Em algumas
seguradoras, como a Sul América, a escalada nos furtos de
automóveis na capital paulista foi suficiente para inverter
a lógica dos preços: os seguros agora são mais
caros na capital paulista do que no Grande Rio, que deteve o duvidoso
título de campeão do crime durante a década
de 90.
Mesmo
companhias que não mexeram na tabela de preços detectaram
essa tendência e tentaram reagir. A Marítima manteve
os preços nos mesmos níveis, mas tentou reduzir as
perdas em Campinas, no ABC paulista e na Capital oferecendo aos
associados a instalação gratuita de trancas antifurto
Mul-T-lock. Iniciada em setembro do ano passado, a promoção
deverá ser cancelada em breve. As trancas diminuíram
o número de roubos, mas não o bastante para compensar
o que investimos nelas, explica José Carlos de Oliveira,
diretor operacional da companhia. Resultados tão ruins podem
ser absorvidos por companhias grandes, mas, para as pequenas, são
fatais e transformam a carteira de automóveis em um mico.
Se
eu fosse pequeno desistiria desse ramo, diz Júlio Avellar,
vice-presidente da área de automóveis da Sul América.
É o que vem acontecendo. Empresas com fôlego financeiro
curto ou sem tradição nesse mercado estão saindo
do ramo de automóveis, para não seguir subsidiando
uma operação não rentável. Os negócios
acabam sendo repassados para líderes do mercado. Para as
grandes, não existe a possibilidade de saltar fora do ramo
apesar do mau desempenho financeiro, a venda do produto é
requisito indispensável para atrair consumidores para dentro
da companhia. Eu não poderia pedir para o cliente fazer
um seguro de vida ou de casa se eu não aceitasse apólices
de automóveis, justifica Bierrenbach, da Real. Enfim,
o produto que deveria ser a mais importante fonte de receita, virou
apenas uma arma de marketing.
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