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ECONOMIA/INVASÃO SILENCIOSA
Foto: Ciete Silvério
MARILENA, DO IDEC: “É um flagrante desrespeito ao consumidor”
Transgênicos na clandestinidade
Produtos vendidos no Brasil têm genes modificados

Fabiane Stefano

Uma operação casada entre o grupo ecológico mais espalhafatoso do planeta e uma das entidades civis mais conhecidas do País pregou um susto no setor de alimentos. O Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) divulgaram na terça-feira 20 uma lista de 11 produtos à venda no Brasil que, sem aviso nas embalagens, contêm produtos transgênicos. Significa que, na fórmula de composição, segundo análises feitas em laboratórios da Áustria e da Suíça, há organismos geneticamente modificados. Uma medida judicial cautelar proíbe a produção e a comercialização no Brasil de produtos com essas características. “O consumidor deve dizer não aos transgênicos”, conclamou o diretor-executivo do Greenpeace, Roberto Kishinami. “Flagramos um desrespeito”, ecoou Marilena Lazzarini, coordenadora do Idec. “O Código de Defesa do Consumidor obriga a indicar nas embalagens a presença de transgênicos.”

Os dois laboratórios europeus receberam 42 lotes de produtos à base de milho e soja. Em 11 deles o resultado foi positivo. Além de marcas famosas, as pesquisas colocaram na berlinda o Cereal Shake Diet, o Supra Soy integral, o Nestogeno com Soja, Soy Milke e o salgadinho McCormick Bac’On Pieces. Todos os fabricantes e importadores alegaram que a lei brasileira é confusa. A Josapar, distribuidora da Supra Soy integral, alegou, por exemplo, que seu produto está dentro de normas européias. “No caso do Nestogeno, temos atestado de laboratórios de reputação científica internacional garantindo que a soja é isenta de organismos modificados”, disse a Nestlé.

LISTA NEGRA
Entidades atacam produtos famosos
Nome O que é Acusação
Pringles Batata frita "Original" Presença na fórmula de fabricação do Milho Bt 176, Novartis
Bac'os Salgadinho 8,7% de transgênicos
Knorr Caldo para sopa sabor milho 4,7% de transgênicos
Cup Noodles Macarrão sabor galinha 4,5% de transgênicos
Swift Salsichas tipo Viena 3,9% de transgênicos
ProSobee Fórmula não-láctea à base de soja 1,9% de transgênicos

Nos últimos anos, a comunidade científica se dividiu sobre os transgênicos. Não há provas nem a favor nem contra. Em todo o mundo há 40 milhões de hectares plantados com soja transgênica. Só nos Estados Unidos a safra deste ano terá um total de 55% de grãos de soja modificados. Enquanto as plantações transgênicas viscejam pelo mundo, o Brasil sofre uma invasão silenciosa. Grãos de soja modificada colhidos nos EUA podem ser processados numa fábrica da Bélgica e exportados para o Brasil. Da mesma forma, galinhas criadas no Nordeste podem estar sendo alimentadas por milho transgênico da Argentina. “São altas as chances do brasileiro estar consumindo transgênicos”, reconhece Wilhelmus Vitdwilligen, gerente de novas tecnologias da Novartis, multinacional de biotecnologia. Agora, as indústrias vão medir se o alerta fez estragos.

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