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NEGÓCIO:
Antes de financiar, bancos vão medir o risco do negócio.
Silveira não soube avaliar
e perdeu. Já Ferrazzo (no destaque) fez a lição
de casa e lucrou
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Governo
como sócio
BNDES cria linha
de crédito para quem quer abrir uma franquia
Marta
Barbosa
Teste:
Franquia sob Medida
Nada
é mais difícil no processo de abertura de uma franquia
do que levantar o dinheiro para o negócio. Faltam linhas
de crédito e também disposição dos bancos
em investir num setor novo e, por isso, difícil para avaliar
os riscos de quem está investindo. A conseqüência
é que a franquia se tornou uma alternativa viável
para os poucos que têm poupança ou recebem uma indenização
quando deixam o emprego e resolvem se tornar patrões. Tudo
isso está bem perto de mudar. A partir desta semana, quatro
bancos (Itaú, Brasil, ABN Amro e Citibank) vão oferecer
até R$ 400 milhões em linhas de crédito para
quem quer abrir uma franquia. Não que os bancos, de uma hora
para outra, ganharam confiança no setor. O dinheiro vem de
um convênio com o BNDES. E o risco, pela primeira vez, será
medido por um rating feito pela Associação Brasileira
de Franchising (ABF). Com dados sobre a empresa e o empresário,
será possível avaliar a possibilidade de o negócio
dar certo e, principalmente, até quanto vale a pena apostar
no projeto.
Tratam-se
de informações, aliás, que você também
precisa ter antes de procurar um banco ou investir suas economias
para abrir uma franquia. Por isso mesmo, DINHEIRO adaptou, junto
com a ABF, a estrutura desse rating para que você avalie
o risco de assumir uma marca. Numa franquia, você não
deve se preocupar apenas com a administração da sua
loja. É fundamental conhecer em detalhes a empresa que você
vai representar: política de preços, modelo de administração,
investimentos em marketing e até qual a orientação
dada aos funcionários. Caso contrário, mesmo que você
faça tudo certo, um erro do franqueador pode colocar tudo
a perder. Outro detalhe: um franqueado paga diversas taxas por usar
a marca e a infra-estrutura da empresa a que se associou. O empresário
Odair da Silveira só percebeu a importância de ter
todas essas informações quando já estava à
frente de uma franquia da Laundromat. Ele comprou a lavanderia em
1996 e deixou a marca em abril deste ano. Motivo? A empresa
não dava assistência nenhuma, diz ele. E
eu não tinha autonomia para corrigir o que achava que estava
errado. Silveira ainda é dono de uma lavanderia, desta
vez com uma marca própria.
Isso
não significa que toda franquia é uma roubada. Pode
ser vantagem, por exemplo, para quem não tem interesse (nem
dinheiro) em começar do zero e precisa de alguém mais
experiente apontando o caminho. É bom para as duas
partes, diz João Abdalla Neto, consultor do Sebrae.
De um lado está um empresário que precisa expandir
os negócios. Do outro, alguém que já começa
com a segurança de uma marca consolidada. O conselho
do presidente da ABF, Ricardo Yang, é ouvir quem já
faz parte do projeto antes de dar qualquer passo. Converse
com franqueados e procure saber tudo: da demanda pelo produto até
como é a relação deles com o franqueador.
Vencida
a primeira fase, hora de conhecer a empresa. No primeiro contato,
aproveite para tirar o máximo de informações
do franqueador. E faça um estudo detalhado da Circular de
Oferta de Franquia. Toda franquia tem obrigação de
ter esse documento, que nada mais é do que uma radiografia
da empresa. Analise também se você tem o perfil certo
para aquele negócio. Avalie se você está mesmo
disposto a se dedicar ao projeto, se pode pagar os custos de montagem
e de manutenção da loja, se a rentabilidade projetada
é suficiente e, principalmente, se você se identifica
com o ramo de atuação.
O
empresário Atílio Ferrazzo pesou isso tudo antes de
deixar para trás 15 anos de carreira em administração
de shoppings e investir, com outros três sócios, R$
500 mil para abrir uma franquia do Habibs, uma cadeia de lanchonetes
de comida árabe. Apostei todas as economias e precisava
ter certeza de que estava fazendo a coisa certa, diz. Ferrazzo
não duvida disso até hoje. Ele tem duas lojas e faturou
R$ 1,8 milhão em 99. Acertei porque não atirei
no escuro.
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