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DINHEIRO DA REDAÇÃO

Gerdau e Lázaro

Foi a maior ressurreição desde Lázaro. O presidente Fernando Henrique fez o “levanta-te e anda” da Reforma Tributária. Chamou Malan, que havia decretado o enterro. Chamou Michel Temer, que prestava assistência médica ao projeto, lutando por ele no Congresso. Trouxe também Jorge Gerdau, representando a ala dos órfãos empresariais, que como todo o País havia ficado estupefato com o ocorrido. A Reforma era, e ainda é, a mais sólida estaca na qual o governo pode amarrar seu Plano Real. Em entrevista ao editor executivo Ivan Martins, um dia antes de se encontrar com o presidente e demais, no Palácio Alvorada, para a pajelança da ressurreição, Gerdau desabafava toda a sua frustração e estabelecia: “Não vou jogar a toalha”. Dito e feito. No encontro, foi Gerdau o fiel fervoroso que acreditou mais no milagre, fazendo todas as concessões possíveis: aceitou o gradualismo na eliminação do PIS, Cofins e CPMF, no prazo de cinco anos; concordou que a eliminação dos impostos em cascata fosse enfiada nas Disposições Transitórias e não no corpo principal da Carta. Valeram todas as orações, e promessas, para recuperar o projeto insepulto.“Nós temos a oportunidade de fazer a reforma e ela deve ser aproveitada”, disse Gerdau à DINHEIRO, após o encontro, numa súbita mudança de espírito, como que diante de um rebento que considerava morto.
Gerdau exprimiu um sentimento que, decerto, havia tomado especialmente todo o setor produtivo brasileiro, após anos de espera. O avanço da reforma é como um remédio vital para a cura do doente Brasil, viciado em mazelas, em distorções de arrecadação de toda a ordem. O mérito maior do empresário Gerdau, nessa cruzada, está em ir adiante numa batalha que muitos já consideravam perdida. O Sr. do Aço consolidou entre seus pares uma liderança indiscutível.

Carlos José Marques

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