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OFENSIVA:
Meta é triplicar a receita no Exterior até 2003,
chegando aos US$ 500 mi
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Quitanda
Brasil
Produtores nacionais
de frutas fazem road show na Europa em busca de novos clientes
Estela
Caparelli, de Londres
O inglês
Jim Waller, 39, nunca provou o melão produzido no Vale do
Rio São Francisco. Ao fazer compras no supermercado, só
leva a fruta se a embalagem mostrar que o produto veio diretamente
das plantações da Costa Rica. A atitude não
seria uma grande dor de cabeça para os produtores brasileiros
não fosse o fato de Waller ser além de um típico
consumidor inglês um dos responsáveis pela compra
de frutas da Safeway, terceira maior rede de supermercados da Inglaterra.
Foi para quebrar a resistência de pessoas como Waller que
todos os produtores brasileiros decidiram se unir e lançar
na quarta-feira, 14, em Londres, uma grande ofensiva ao mercado
europeu. Com estandes nas redes Safeway e Tesco, a primeira no Reino
Unido, eles promoveram sessões de degustação
usando, pela primeira vez, uma marca única, a Brazilian Fruit.
A
estratégia de pegar o consumidor europeu pelo estômago
foi a primeira de uma série de três mil que será
feita ao longo dos próximos três meses em lojas no
Reino Unido, França e Alemanha. A campanha de R$ 12 milhões
está sendo financiada pelos produtores e pela Agência
de Exportacões, a Apex, órgão vinculado ao
governo e ao Ministério da Agricultura. A idéia é
catapultar as exportações brasileiras de frutas, que
foram de minguados US$ 160 milhões no ano passado
menos de 1% de tudo o que foi vendido pelo Brasil no Exterior. Se
tudo der certo, os produtores pretendem exportar anualmente US$
500 milhões em três anos. A meta de exportações
pode parecer insuficiente para ajudar a dar fôlego à
balança comercial brasileira. E é. Mas para o setor,
é uma corrida contra o tempo: o aumento da área plantada
e da produtividade no Brasil, principalmente nos anos 90, está
provocando um crescimento exagerado na oferta de frutas. Uma
das razões da campanha é tentar escoar a produção,
diz Fernando de Almeida, presidente do Instituto Brasileiro de Frutas
(IBF).
Para
concorrer com os grandes produtores mundiais como a China, os brasileiros
estão deixando as rivalidades de lado. A idéia é
formar um grupo capaz de ganhar força nas negociações
com fornecedores e importadores. É um modelo semelhante ao
adotado com sucesso pelos concorrentes em Israel e Nova Zelândia.
Juntos, criamos um padrão único para nosso produto
e ganhamos o mercado internacional, atesta John McCliskie,
presidente da Associação dos Produtores de Maçã
da Nova Zelândia.
A
tarefa de convencimento do mercado europeu não será
fácil. Para conquistar os consumidores, será preciso
ajustar a fruta brasileira aos critérios da CEE. E a lista
é grande. A fruta tem de ser fresca e com apresentação
padronizada e impecável, diz Waller, o gerente da Safeway.
A equipe de produtores brasileiros seguiu à risca as recomendações
de Waller. Os clientes que participaram da degustação
na semana passada ouvidos por DINHEIRO aprovaram as frutas. Loris
Willian, 67 anos, fez uma ressalva: Dá para confiar
na forma como vocês produzem?
Aí
é que está o ponto. Historicamente, os produtores
brasileiros nunca se preocuparam com a forma de apresentar o produto
ao consumidor. Agora, quem cultiva fruta no Brasil está investindo
em tecnologia e é isso que a Brazilian Fruit quer provar.
Um exemplo é a fazenda do Carrefour no Vale do São
Francisco, onde produtores desenvolvem a primeira plantação
de uva orgânica do País. As redes européias
impõem um padrão de qualidade que exige determinadas
tecnologias da produção, diz Almeida, do IBF.
Os obstáculos não páram por aí. O setor
ainda sofre com a burocracia de Brasília. Um exemplo é
o Kultar, substância usada no cultivo da manga: o registro
pedido há cinco anos para o governo ainda não tem
previsão de liberação. Como mudar a burocracia
de Brasília é impossível para eles, resta agora
provar que o melão nacional é melhor que o da Costa
Rica. E, quem sabe, convencer Waller a comprar a idéia.
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