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NEGÓCIOS/CONCORRÊNCIA
Foto: Biô Barreira
CAIUBY: "Técnicas de venda, o serviço, a arquitetura e a fórmula são plágio."
Sherlock das marcas
Rodrigo Caiuby é o pesadelo dos plagiadores

Carlos Sambrana

Rodrigo Caiuby pode ser considerado o Sherlock Holmes das marcas no Brasil. Por suas mãos circulam interesses de empresas como Motorola, Bombril-Cirio, Lucent Technologies, entre outras gigantes do mundo dos negócios. Formado em direito na Faculdade Cândido Mendes, este carioca de 28 anos é o terror dos plagiadores. Ele divide o seu tempo entre o escritório, as gôndolas de supermercados e lojas de departamento fiscalizando quem está se aproveitando da imagem de seus clientes. Caiuby comanda em São Paulo as atividades da empresa espanhola Clarke, Modet & Co, especializada em registros e proteção de marcas, patentes, direitos autorais, transferência de tecnologia e software. “As empresas brasileiras estão começando a perceber a importância da fiscalização das marcas, talvez o principal ativo de uma companhia”, diz Caiuby. Segundo José Roberto Martins, consultor de marcas, a indústria do plágio movimenta US$ 500 milhões no Brasil. Acompanhe os principais trechos da entrevista do Sherlock das marcas:

DINHEIRO – Qual é o setor que está enfrentando os maiores problemas de plágio?
Rodrigo Caiuby –
A Web é o grande desafio do direito. Isto porque há muitos sites que têm o seu layout copiado e empresas que têm os domínios apropriados indevidamente, e ainda não há efetivamente um consenso de como coibir esta prática. A saída talvez fosse registrar, em conjunto, domínios e marcas em um mesmo órgão. Hoje o principal problema é a falta de comunicação entre o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e a Fapesp. Não sei como vamos lidar com isso tudo.

Dinheiro – Antigamente o plágio era restrito a embalagem e etiqueta do produto. Como é hoje em dia?
Caiuby –
Hoje as técnicas de venda, o serviço, a arquitetura, a fórmula são caracterizadas como plágio. Se você montar uma videolocadora, colocar um fundo azul com letras amarelas e receber o cliente à la Blockbuster, estará infringindo as leis empresariais. Temos um caso de uma empresa de fast-food mexicana que teve todo o seu conceito e arquitetura copiado. A companhia entrou na Justiça e recebeu US$ 1,8 milhão de indenização.

Dinheiro – Como se caracteriza a cópia de serviços?
Caiuby –
O McDonald’s tem uma forma de serviço única. Se alguém imitá-lo estará fazendo plágio do seu serviço.

Dinheiro – Você pode citar casos brasileiros?
Caiuby –
Temos clientes como a Bombril-Cirio, que está movendo uma ação contra uma empresa mineira. Eles copiaram a embalagem da palha de aço e estão vendendo no mercado. Outra embalagem que foi copiada é a do inseticida SBP. Uma grande empresa concorrente copiou a cor, formato e até o gatilho do spray. Um caso curioso é o da Zara, multinacional espanhola que atua no segmento de confecções. A empresas demorou dois anos para entrar no Brasil porque diversas companhias usavam nomes parecidos como Zaragata.

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