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NEGÓCIOS/AUTOPEÇAS
Fotos: Alexandre Belém/Agencia Lumiar
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A Trincheira de Moura no agreste - Baterias
Ele fatura R$ 130 milhões e resiste ao ataque dos pesos pesados do setor

Ao longo dos cerca de 200 quilômetros que separam Recife de Belo Jardim – encravada no agreste pernambucano –, Edson Mororó Moura, 70 anos, distrai-se com a leitura de jornais. Depois de um breve cochilo, pede ao motorista que faça uma parada em Caruaru. Desce do carro e compra duas espigas de milho assadas na brasa. Devora-as com prazer. Duas horas depois de ter deixado sua residência no Recife, ele está a postos na cadeira de diretor-presidente do Grupo Moura. De lá ele toca o dia-a-dia das cinco fábricas instaladas no complexo industrial de sua cidade natal. Checa a performance dos 45 revendedores espalhados de norte a sul do País, responsáveis por 60% das vendas, e analisa pedidos feitos pelas montadoras. Todo cuidado é pouco. Até porque os competidores são pesos pesados globais do porte da Delphi e da Enertec, além de compatriotas como Ajax. A disputa é ferrenha. Das linhas de montagem da pequena cidade de 60 mil habitantes saem 2,5 milhões de baterias por ano. A produção garante uma receita estimada em R$ 130 milhões para este ano e a liderança do mercado.
Boa parte é exportada para Argentina, países do Caribe e da Europa. No Brasil, Moura descobriu um novo filão: está produzindo baterias para estações rádio-base, usadas na transmissão de sinais da telefonia celular. A nova divisão, a Moura Baterias Industriais, já tem na carteira clientes como BCP, Global Telecom e Americel e deve faturar este ano cerca de R$ 6 milhões.

O negócio de baterias é uma paixão de Moura desde 1952, quando se graduou em química industrial. Sua trajetória empresarial tem a obstinação como marca. No começo de 1957, ele desembarcou em São Paulo – depois de viajar três dias na boléia de um caminhão – para fazer um estágio na Saturnia, líder de mercado na época. A idéia, contudo, não evoluiu por excesso de sinceridade. “O clima ficou ruim quando eu contei que minha intenção era montar uma empresa concorrente no Nordeste”, lembra. Dispensado, buscou, aos 27 anos, acumular conhecimentos teóricos e encontrar novas oportunidades. Soube da falência de uma pequena fábrica de baterias, situada em Santo Amaro (bairro industrial da Capital paulista), comprou máquinas por um preço de ocasião e despachou para Belo Jardim. Levou o amigo Antonio Robles, ex-sócio da fabriqueta. O começo foi penoso. “O mercado recifense rejeitou minhas baterias”, lembra o empresário. “A qualidade do material não ajudava muito”, confessa. E, pior: o reduzido número de veículos que rodavam no agreste era incapaz de garantir a sobrevivência do negócio.

Os sucessivos prejuízos, contudo, não foram capazes de arrefecer o ânimo de Moura. A esposa Maria da Conceição – também graduada em química – teve de dar aulas para completar a renda familiar. Pressionado pelas dificuldades, ele passou a fabricar chumbo para caça. “Ganhei muito dinheiro”, lembra. Isso não aplacou seu anseio de pagar o preço do pioneirismo. A situação começou a virar em 1967, com a criação da Sudene. Um financiamento de NCr$ 340 mil para capital de giro e outras 540 mil libras para a aquisição de equipamentos mudaram o cenário. Moura embarcou para a Inglaterra atrás de um parceiro. Chegou a hora de recarregar as baterias. Voltou de lá após fechar acordo com a Chlorid, a maior do mundo.
Com tecnologia de ponta e recursos para investir, o sonho de Moura ganhou contornos de grande porte. Os tropeços, contudo, teimavam em testar a habilidade do dublê de químico e empresário. O maior deles veio em 1970, com a crise de inadimplência decorrente de vendas mal-sucedidas para o Sudeste. “Pensei até em fechar o negócio”, recorda. Mais uma vez ele seguiu na direção inversa. Passou a produzir pilhas e chegou a deter 20% do mercado. “Mas faltou fôlego para tocar dois negócios ao mesmo tempo”, diz. Hoje, os quatro filhos o ajudam a tocar as fábricas e participam das decisões estratégicas. Apesar deste apoio, Moura não quer nem ouvir falar em aposentadoria. Haja energia!

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