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NOVO
FILÃO: Grupo põe na mira o bilionário
segmento de telecomunicações
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A
Trincheira de Moura no agreste - Baterias
Ele fatura R$
130 milhões e resiste ao ataque dos pesos pesados do setor
Ao
longo dos cerca de 200 quilômetros que separam Recife de Belo
Jardim encravada no agreste pernambucano , Edson Mororó
Moura, 70 anos, distrai-se com a leitura de jornais. Depois de um
breve cochilo, pede ao motorista que faça uma parada em Caruaru.
Desce do carro e compra duas espigas de milho assadas na brasa.
Devora-as com prazer. Duas horas depois de ter deixado sua residência
no Recife, ele está a postos na cadeira de diretor-presidente
do Grupo Moura. De lá ele toca o dia-a-dia das cinco fábricas
instaladas no complexo industrial de sua cidade natal. Checa a performance
dos 45 revendedores espalhados de norte a sul do País, responsáveis
por 60% das vendas, e analisa pedidos feitos pelas montadoras. Todo
cuidado é pouco. Até porque os competidores são
pesos pesados globais do porte da Delphi e da Enertec, além
de compatriotas como Ajax. A disputa é ferrenha. Das linhas
de montagem da pequena cidade de 60 mil habitantes saem 2,5 milhões
de baterias por ano. A produção garante uma receita
estimada em R$ 130 milhões para este ano e a liderança
do mercado.
Boa parte é exportada para Argentina, países do Caribe
e da Europa. No Brasil, Moura descobriu um novo filão: está
produzindo baterias para estações rádio-base,
usadas na transmissão de sinais da telefonia celular. A nova
divisão, a Moura Baterias Industriais, já tem na carteira
clientes como BCP, Global Telecom e Americel e deve faturar este
ano cerca de R$ 6 milhões.
O
negócio de baterias é uma paixão de Moura desde
1952, quando se graduou em química industrial. Sua trajetória
empresarial tem a obstinação como marca. No começo
de 1957, ele desembarcou em São Paulo depois de viajar
três dias na boléia de um caminhão para
fazer um estágio na Saturnia, líder de mercado na
época. A idéia, contudo, não evoluiu por excesso
de sinceridade. O clima ficou ruim quando eu contei que minha
intenção era montar uma empresa concorrente no Nordeste,
lembra. Dispensado, buscou, aos 27 anos, acumular conhecimentos
teóricos e encontrar novas oportunidades. Soube da falência
de uma pequena fábrica de baterias, situada em Santo Amaro
(bairro industrial da Capital paulista), comprou máquinas
por um preço de ocasião e despachou para Belo Jardim.
Levou o amigo Antonio Robles, ex-sócio da fabriqueta. O começo
foi penoso. O mercado recifense rejeitou minhas baterias,
lembra o empresário. A qualidade do material não
ajudava muito, confessa. E, pior: o reduzido número
de veículos que rodavam no agreste era incapaz de garantir
a sobrevivência do negócio.
Os
sucessivos prejuízos, contudo, não foram capazes de
arrefecer o ânimo de Moura. A esposa Maria da Conceição
também graduada em química teve de dar
aulas para completar a renda familiar. Pressionado pelas dificuldades,
ele passou a fabricar chumbo para caça. Ganhei muito
dinheiro, lembra. Isso não aplacou seu anseio de pagar
o preço do pioneirismo. A situação começou
a virar em 1967, com a criação da Sudene. Um financiamento
de NCr$ 340 mil para capital de giro e outras 540 mil libras para
a aquisição de equipamentos mudaram o cenário.
Moura embarcou para a Inglaterra atrás de um parceiro. Chegou
a hora de recarregar as baterias. Voltou de lá após
fechar acordo com a Chlorid, a maior do mundo.
Com tecnologia de ponta e recursos para investir, o sonho de Moura
ganhou contornos de grande porte. Os tropeços, contudo, teimavam
em testar a habilidade do dublê de químico e empresário.
O maior deles veio em 1970, com a crise de inadimplência decorrente
de vendas mal-sucedidas para o Sudeste. Pensei até
em fechar o negócio, recorda. Mais uma vez ele seguiu
na direção inversa. Passou a produzir pilhas e chegou
a deter 20% do mercado. Mas faltou fôlego para tocar
dois negócios ao mesmo tempo, diz. Hoje, os quatro
filhos o ajudam a tocar as fábricas e participam das decisões
estratégicas. Apesar deste apoio, Moura não quer nem
ouvir falar em aposentadoria. Haja energia!
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