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CRAQUES:
Em agosto, a equipe brasileira estará em Toronto enfrentando
as feras em cadeira de
rodas da NBA
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Campeões
da Casio
Projeto patrocinado
pela empresa resgata, por meio do esporte, a auto-estima dos deficientes
físicos
Fernando
Neves
Um
novo Oscar está surgindo nas quadras brasileiras de basquete.
Com 54 pontos marcados em uma partida, Celestino Luciano Suursoo,
pivô do Magic Hands, tem no maior jogador do Brasil sua grande
fonte de inspiração. A admiração por
Oscar ajuda Celestino a superar sua deficiência física:
ele é um atleta em cadeira de rodas. O cestinha do Magic
Hands é uma das 100 pessoas que praticam esporte com a ajuda
da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), entidade
criada há quatro anos pelo professor Steven Dubner
que desde 1980 dedica-se a promover atividades esportivas para deficientes
físicos. O trabalho de Dubner ganhou um apoio de peso em
setembro do ano passado. A Casio Service, divisão de prestação
de serviços da Casio, assumiu o patrocínio do Magic
Hands enviando mensalmente R$ 10 mil para a equipe. O acordo será
renovado este ano. O apoio da empresa deu um novo ânimo
às nossas atividades, conta Dubner.
Mais
do que manter um time de basquete, o projeto oferece uma nova oportunidade
de vida a quem estava marginalizado. As dificuldades cotidianas
de quem se move em cadeira de rodas acabam por abater o ânimo
de qualquer um. A sociedade nos coloca o rótulo de
incapazes, afirma Fábio Souza, atleta do Magic Hands.
O esporte resgata a confiança e a auto-estima dos deficientes
físicos. A vida para mim começou depois da primeira
cesta há quatro anos, diz Souza, que hoje vende equipamentos
de reabilitação. Ele não está sozinho
em sua descoberta do prazer de viver. Alberto Santos Araújo,
outro integrante da equipe, chegou a pensar em suicídio por
não suportar sua condição de paraplégico.
Hoje, com uma bola nas mãos ele esbanja alegria dentro da
quadra, namora a nadadora e também deficiente física
Monica Garcia e faz planos de casar.
O
dinheiro dado pela Casio cobre todos os gastos da equipe, incluindo
o mais importante: a compra das cadeiras de rodas de jogo. Elas
são feitas em alumínio, ao contrário das tradicionais
de ferro, e custam R$ 800. Dubner explica que as cadeiras são
projetadas especialmente para cada atleta. São como
cockpits de Fórmula 1, compara. O outro parceiro do
time é o Colégio Pueri Domus, que cede a quadra para
os treinos, duas horas por dia, duas vezes por semana. Jogamos
aqui porque o colégio quer ajudar na integração
dos deficientes físicos com a sociedade, explica Dubner.
Com o apoio financeiro da empresa e um espaço adequado para
treinar, o time melhorou o nível técnico e os resultados
não demoraram a aparecer. Em fevereiro, o Magic Hands tornou-se
a melhor equipe de basquete em cadeira de rodas da cidade de São
Paulo, conquistando em seguida o vice-campeonato estadual. O bom
desempenho do time chamou a atenção de outras entidades
que se dedicam ao esporte com deficientes e veio o convite para
jogar no Exterior. De 1º a 8 de agosto, o Magic Hands vai estar
em Toronto, no Canadá, disputando o torneio International
Spitfire Challenge 2000. O time da ADD vai jogar com equipes como
Wheelchair Dallas Mavericks e Orlando Magic Wheels, ambos da NBA
em cadeira de rodas. Enfim, a nata dos esportistas estará
lá. O desafio não desanima o grupo. Vamos jogar
para vencer, diz o cestinha Celestino. Oscar, atual patrono
da equipe ao lado de Magic Paula, estará na torcida.
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