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À
SOMBRA DO ARRANHA-CÉUS: Corretoras e fundos de pensão
num golpe de US$ 50 milhões
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A
Máfia em Wall Street
FBI prende 120
suspeitos e desmonta em Nova York a maior operação
financeira da cosa nostra
Ernesto
Bernardes
Foi
uma das maiores investigações da história do
FBI. Durante um ano, 600 agentes federais rastrearam as operações
de 35 companhias, checaram milhares de suspeitos e grampearam, com
autorização judicial, mil horas de conversas telefônicas.
O resultado, na semana passada, foram mandados de prisão
para 120 pessoas acusadas no maior esquema de fraude da história
de Wall Street. De acordo com a promotora que chefiou a operação,
Mary Jo White, as cinco famílias mafiosas de Nova York decidiram
que havia dinheiro sobrando no mercado de ações e
seria estupidez ficar fora de um ramo com tantas presas em potencial.
Por meio da corretora DMN Capital Investiments (a central
do crime, nas palavras da promotora), chefiada por um capo
da família Bonnano, os mafiosos deram golpes que renderam
pelo menos US$ 50 milhões.
Os
esquemas que levaram ao indiciamento são velhos conhecidos
das corretoras picaretas de Wall Street (boiler rooms, na gíria
do mercado). A novidade estava no tamanho da operação
e nos truques envolvendo ações pontocom. O golpe aplicado
com mais freqüência era o de valorizar artificialmente
papéis de companhias que não valem um centavo, até
o ponto em que as corretoras as vendiam, a preços exorbitantes,
para um fundo de pensão qualquer, ou para pequenos investidores
incautos. Para garantir a existência desses compradores, os
mafiosos subornavam funcionários de corretoras para que empurrassem
para alguma vítima os papéis micados.
Entre
os alvos preferenciais estavam aposentados, loucos para aplicar
suas economias em ações da Internet. Para manipular
os papéis, valia criar sites com informações
fajutas sobre o mercado financeiro e distribuir comunicados à
imprensa com informações falsas. Diferentemente do
Brasil, onde os fundos de pensão envolvidos em falcatruas
costumam ser estatais, nos Estados Unidos essas instituições
são ligadas a sindicatos que muitas vezes possuem
ligações umbilicais com a Máfia. O que surpreendeu
foi o tipo de sindicalista envolvido: Stephen Gardell, durante dez
anos tesoureiro do fundo de pensão dos policiais de Nova
York. Ele recebeu vários mimos, desde estadias pagas em cassinos
até um casaco de pele para a mulher, e ganhou até
uma piscina, no quintal de casa, para participar da operação.
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