 |
|
O
DILEMA SHAKEDPEAREANO DA WEB: Investir ou não investir?
|
O
que fazer na Internet
Ainda há
muito capital para investir no Brasil. Descubra como atraí-lo
para o seu projeto
Juliana
Simão
No
início eram idéias. Qualquer uma valia, desde que
tivesse um www no começo. Na segunda fase, projeto bom era
aquele que conseguisse a maior audiência possível.
Acreditava-se que isso, algum dia e de alguma forma, seria revertido
em cifras. Mas as crises na Nasdaq e as primeiras quebradeiras virtuais
fizeram com que o dinheiro ficasse mais arisco. Agora, começou
a terceira fase de investimentos na Internet. Procura-se bons planos
de negócio. Idéias capazes de produzir lucros na Internet.
Dinheiro existe, aos montes. Em junho, surgiram quatro novas empresas
financiadoras no Brasil. Descontadas as diferenças gramaticais,
incubadoras, aceleradoras e holdings trouxeram ao País mais
US$ 200 milhões, nos últimos 60 dias, para serem investidos
na rede. Já se comprou muito gato por lebre. Hoje,
estamos em busca de empresas e não de sites, explica
Sérgio Cavalcanti, diretor-geral do Europ@Web. O fundo chegou
ao Brasil, após ter investido US$ 500 milhões em sites
pelo mundo. É um negócio que quer ser tão sólido
quanto os demais empreendimentos de Bernard Arnault, empresário
francês que controla um império de marcas que inclui
Luis Vuitton, Moët & Chandon, Kenzo e Tag Heuer. Certamente,
Arnault não entrou no jogo para perder. No Brasil, já
investiu no Submarino e Lokau. E, neste momento, procura novos parceiros.
Precisamos de modelos sólidos. Empresas que serão
vencedoras, diz Cavalcanti. Um dos pontos fundamentais, ressalta,
é que a administração da pontocom tenha vínculos
com o mundo físico. Ou seja, um site de logística
deve obrigatoriamente ter profissionais da área, que conheçam
a concorrência e o mercado.
Nada
diferente dos projetos que estão sendo garimpados no mercado
pelo Btoben.com, outro fundo de Internet que desembarcou há
um mês no Brasil. Com US$ 30 milhões para gastar
e o desejo de alavancar 15 projetos no País , a holding
é a única que só investe em business-to-business.
O valor da rede vai se concentrar no comércio entre
empresas, afirma Peter Mintzberg, diretor da holding. Cerca
de 80% do faturamento total da Web virá deste modelo.
Além deste requisito, informa Mintzberg, os negócios
a receberem aporte de capital devem ser sustentáveis: com
receita desde o princípio e lucro em, no máximo, dois
anos.
Capital
de risco não é capital de desperdício,
lembra Índio Brasileiro Guerra Neto, que coordena outra aceleradora
de Internet, a ITC Ventures. Bons projetos na rede são
cada vez mais semelhantes aos do mundo real, diz. Afinal,
o dinheiro existe. Mas decide para onde migrar. No momento, ele
está deixando a mão de jovens nerds e rumando para
empresários, que tenham conhecimento da área de atuação
de suas pontocom e competência gerencial para lidar com crises.
A partir de agora, é ser e ser lucrativo.
|