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Arte: Tato
PICANÇO: “Não posso ficar com um papel
que vai despencar”
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Cuidado com o destino de suas ações da Telesp

Fabiana Godoy

Neste mês, uma operação está mexendo com os investidores brasileiros. A Telefónica, holding espanhola que detém a Telesp Participações, estipulou até o próximo dia 30 para os acionistas da empresa paulista decidirem se querem trocar seus papéis por recibos de ações da companhia espanhola, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Se todos aderirem, o volume que vai trocar de mãos é de cerca de US$ 10 bilhões. Apesar do alto valor, na teoria, o negócio é simples: uma empresa estrangeira, que não pode ser negociada diretamente na nossa bolsa – daí os BDRs –, faz uma chamada de capital para ter o controle da companhia em que detém participação acionária. Na prática, porém, os minoritários têm pela frente uma decisão difícil. Eles podem ser prejudicados tanto se ficarem com os papéis da Telesp como se optarem pelos BDRs.

Quem trocar os papéis da Telesp pelos BDRs deixará para trás um bom negócio. “A Telesp era um dos carros-chefe da bolsa, o papel com maior giro no mercado”, diz Ciro Matuo, analista da corretora Indosuez W.I. Carr. Com a oferta da Telefónica, muitas pessoas vão migrar para os BDRs e o papel da Telesp vai deixar de ser tão negociado. A previsão é de que a perda seja tão grande que ele pode até sair ou ter menos participação no Ibovespa. Em bom português, será um mico. Isso porque a Telesp vai continuar existindo e pode até ter um bom desempenho. Mesmo assim, seu papel será praticamente um fantasma na bolsa, sem liquidez. “Estou bem chateado de vender minhas ações agora”, diz o empresário Renato Picanço. “Mas não tenho escolha. Não posso ficar com um papel que dizem que vai despencar.”

Uma opção a isso são os BDRs. Economicamente falando, é um bom negócio. Em janeiro, quando foi feito o anúncio, levando-se em conta o valor dos papéis da Telesp, os da Telefónica e a proporção entre eles na troca, os acionistas da empresa brasileira levariam um prêmio de 40% no negócio. O problema é que os BDRs também podem perder liquidez. Segundo analistas, os investidores internacionais não vão querê-los. “Eles podem comprar os papéis da mesma empresa diretamente lá fora”, diz Carlos Eduardo Sequeira, analista da BBA Icatu Corretora. Os fundos de investimento e os de pensão também vão sair fora deles, seja porque os BDRs não estarão no Ibovespa, seja por questões fiscais. A vantagem então para quem optar pelos recibos da Telefónica será a possibilidade de investir numa empresa global, que atua em áreas como Internet (o portal Terra-Lycos), call center, rádio e televisão. Vale lembrar que é mais difícil acompanhar de perto o desempenho de uma companhia estrangeira. “Além disso, quem investe aqui quer correr os riscos do mercado brasileiro, o que não acontece com o BDR”, avalia Sequeira.

Diante de tantos prós e contras, os analistas sugerem uma terceira opção: vender as ações da Telesp e comprar as de outras empresas da mesma área. É um consolo para quem viu boas chances em telecomunicações e não quer sair do setor. Desde janeiro, quando a Telefónica fez o anúncio dos BDRs, muita gente tem migrado para ações de empresas como Telemar, TeleCentro-Sul Embratel etc. A previsão é que se houver uma adesão de 75% à proposta, esses papéis receberão US$ 3,2 bilhões. Portanto, é bom agir rápido antes que eles ganhem mais liquidez e fiquem mais valorizados.

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