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Jornada ideal
O presidente
Fernando Henrique não levantou a idéia, mas encampou.
Disse sim à proposta de redução da jornada
de trabalho e é o primeiro sim oficial do governo a uma virada
trabalhista dessa envergadura, que tem assustado governantes seguidos
aqui e em várias partes do mundo. No Brasil do início
do século, jornada de trabalho ficava na casa de 60 horas
semanais, evoluiu para 48 horas nos anos 40 e demorou quase meio
século para chegar a 44 horas no final da década de
80. E toda essa resistência porque, por aqui, como de resto
nos demais países subdesenvolvidos, firmou-se o conceito
de que aumento de produção está diretamente
ligado ao aumento da carga horária do funcionário
tudo desaguando no aumento do lucro empresarial. As variantes
inesperadas como desemprego em alta e consumo em baixa poucas vezes
foram consideradas nessa aritmética. Se, do contrário,
fossem incluídas, daria para notar que: redução
de jornada e conseqüente aumento dos postos de trabalho trariam
maior consumo. Logo, mais lucro. Empresários e empregados
teriam muito a ganhar.
Do lado do governo, seria o resgate de parte da dívida social
porque é pela banda do trabalho que se consegue os
melhores resultados nos índices de educação,
saúde, desenvolvimento enfim. Fernando Henrique entende dessa
maneira, mas quer que a idéia parta das bases, numa espécie
de pacto social entre as partes. Não dá. É
uma decisão que tem de vir de cima para baixo, colocada diretamente
à apreciação do Congresso, para que efetivamente
se concretize. Foi assim na França. E lá, como previsível,
o desemprego diminuiu, o consumo aumentou, o lucro...
Carlos
José Marques
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