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RISCO:
Colômbia estuda a exigência de receita médica
para compra de Novalgina
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A
enxaqueca da Aventis
Sob suspeita,
carro-chefe do laboratório pode perder mercado no continente
Estela
Caparelli
A Aventis,
gigante de US$ 20 bilhões do setor farmacêutico, está
se preparando em toda a América Latina para reverter o impacto
de novas repercussões negativas em torno dos efeitos causados
pelo seu carro-chefe na área de medicamentos, a Novalgina.
A empresa, resultado da fusão entre a alemã Hoescht
e a francesa Rhône Poulenc, montou uma estratégia para
impedir que sua imagem seja arranhada pela reação
em cadeia provocada por casos de doenças em pessoas que ingeriram
o remédio em Bogotá, na Colômbia. Lá,
as autoridades estão investigando caso de um paciente que,
após ser medicado com Novalgina, teve de ser hospitalizado.
Diagnóstico: agranulocitose, mal que provoca enfraquecimento
do sistema imunológico e pode ser fatal. Diante disso, o
governo colombiano estuda a possibilidade de exigir prescrição
médica para a venda do produto no país. O risco de
restrição à comercialização de
Novalgina na Colômbia, por si só, já é
capaz de causar náuseas na bilionária Aventis. Imaginar
uma epidemia de veto ao remédio nos países vizinhos,
então, causaria enormes dores de cabeça para a empresa.
E
isto não está longe de acontecer. No Brasil, o Ministério
Público Federal voltará a carga nos próximos
dias com um processo em torno da Novalgina. O MP vai apurar a situação
do remédio no País junto ao Ministério da Saúde.
Procurados, os executivos da Aventis no Brasil preferiram não
comentar o assunto. Mas fontes diretamente ligadas à alta
cúpula da empresa garantem que eles estão preparados
para o pior na América Latina. Extraoficialmente, a Aventis
reconhece que a Novalgina pode voltar a gerar polêmicas, a
exemplo do que ocorreu nos anos 80. Naquela época, esquentou
o debate em torno das reações que poderiam ser causadas
pelo medicamento. É uma questão importante para empresa
porque o produto representa 35% dos US$ 46 milhões faturados
pela Aventis no mercado latino-americano. Por essas e outras, a
alta direção da companhia está esperando a
conclusão do caso na Colômbia para desembrulhar uma
pilha de relatórios científicos que comprovam que
o remédio não coloca em risco a vida de quem engole
as famosas gotinhas.
O
temor da empresa é de que uma nova onda de desconfiança
leve outros governos da região a tomarem decisões
semelhantes a de outros 29 países: restringir ou, simplesmente,
banir a Novalgina e demais remédios à base de dipirona
das prateleiras das farmácias. Nos EUA, por exemplo, o rígido
Food and Drug Administration (FDA) retirou o produto do mercado
a partir 1997 porque os benefícios não superaram
os riscos associados ao uso. No México, o governo proibiu
o uso de medicamento por crianças devido à sua
toxidade. Agora, a Colômbia está investigando
os efeitos da dipirona para tomar as medidas sanitárias
pertinentes, segundo disse à DINHEIRO o coordenador
de Vigilância da Saúde Pública daquele país,
Victor Hugo Alvarez.
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