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NEGÓCIOS/AMIANTO
Foto: Pulsar
PRODUÇÃO EM ALTA: A “indústria” brasileira do amianto fatura US$ 1 bilhão ao ano e gera 20 mil empregos
Inimigos e aliados na OMC
Desta vez, Canadá quer apoio do Brasil

O que aviões dividem, o amianto pode unir. O Canadá, o mesmo país que está em pé de guerra com o Brasil na disputa entre Bombardier e Embraer, está fazendo de tudo para manter a aliança com os brasileiros em uma outra peleja na Organização Mundial de Comércio. Desta vez, os canadenses querem apoio verde-amarelo para impedir que a França tenha o consentimento da OMC para banir de vez o amianto, matéria-prima usada na construção civil e na fabricação de autopeças. O Canadá é o segundo maior produtor da commodity e suas exportações estarão em xeque caso saia derrotado na OMC. É aí que surge o Brasil, um dos maiores produtores de amianto, dono de uma indústria que movimenta US$ 1 bilhão e gera 20 mil empregos. O governo canadense acredita que, além de lutar pelos interesses comerciais, o Brasil poderia fazer do caso amianto a moeda de troca ideal para amenizar a turbulência no setor de aviação. A decisão da OMC será anunciada em julho.

O Canadá corre contra o tempo. De um lado, o governo daquele país analisa a possibilidade de abrandar a exigência no caso Embraer para tentar atrair a simpatia brasileira. De outro, parte para o convencimento do setor privado. Há duas semanas, a embaixada daquele país enviou correspondência para pessoas do setor que utilizam a matéria-prima para tentar convencê-las a apoiar a causa do amianto. Não será fácil, principalmente depois que a União Européia alegou que o amianto provoca câncer aos trabalhadores que o manuseiam. Nas cartas, os diplomatas fazem questão de lembrar que o governo brasileiro apóia o canadense na OMC.
O argumento dos diplomatas é verdadeiro. Quando a União Européia decidiu tirar o amianto das fábricas, o Brasil foi contra e apoiou o Canadá.

Hoje, no entanto, as coisas mudaram em Brasília. A repercussão negativa internacional e a decisão das empresas brasileiras de substituir a matéria-prima fez com que o ministro José Sarney Filho, do Meio Ambiente, e Alcides Tápias, do Desenvolvimento, estudassem a eliminação do produto por aqui. Nos dois casos, a tendência é de proibição da matéria-prima, segundo DINHEIRO apurou. Uma posição que bate de frente com a do governo de Goiás, Estado onde está localizada a única mina do País. Nas próximas semanas, a polêmica será discutida em uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Aí é que está o problema: se o governo brasileiro não decidir pela eliminação do amianto nos próximos dias, prevalecerá na OMC a posição atual do País. Ou seja, de apoio à fabricação de produtos com matéria-prima que supostamente provoca câncer a quem trabalha na linha de produção.

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