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NEGÓCIOS/JUSTIÇA
DIVISÃO: Bill Gates terá de escolher entre Ops e Apps
Microsoft rasgada ao meio
Condenada por truste, empresa é dividida em duas companhias

Durante muito tempo, Bill Gates duvidou que esse dia chegaria. Há 20 meses, quando 20 Estados americanos iniciaram um processo antitruste contra a Microsoft – a empresa que sua inventividade e arrojados métodos comerciais transformaram na mais valiosa do mundo –, ele minimizou o assunto, descartando qualquer hipótese de as autoridades provarem algo contra a companhia. Depois, quando sentiu que a condenação era iminente, dispôs-se a negociar um acordo extrajudicial. Desdenhou dos defensores de penas severas como a divisão da Microsoft em várias empresas, desprezou a competência do procurador Joel Klein e mexeu com os brios do juiz federal Thomas Penfield Jackson, encarregado do caso. Nas raias dos tribunais, o visionário Gates mostrou-se estrábico. Na quarta-feira, 7, ouviu o juiz Jackson preferir sua definitiva sentença – e ele foi severo como poucas vezes se viu na América corporativa. Acatou integralmente a sugestão dos Estados e decretou a divisão da Microsoft em duas empresas: uma, batizada pelo próprio magistrado de “Ops Co”, produzirá e venderá o sistema operacional Windows; já a “Apps Co” ficará com os outros softwares, aplicativos para Internet e produtos na área de hardware. Draconiano, Jackson impôs mais que a simples separação de setores. As novas companhias devem atuar como rivais. Não poderão estabelecer parcerias mútuas e ter sequer um funcionário em comum. Diretores e grandes acionistas terão de optar: ou Ops ou Apps.

O golpe é duro e, obviamente, haverá recurso por parte da Microsoft, que, pela sentença, tem 120 dias para apresentar um plano para a divisão. Jackson tratou de botar mais um espinho no sapato de Gates. Está pedindo que a apelação da companhia seja examinada diretamente pela Corte Suprema dos EUA. Dessa forma, o processo pularia uma instância intermediária: ou seja, haveria um round a menos para a Microsoft tentar reverter a situação. Na mesma quarta, Gates anunciou a estratégia para a defesa. Disse que tem como provar que a sentença é injusta e que suas práticas comerciais são legais. “Este é o início de um novo capítulo neste caso”, declarou. O discurso, porém, é o mesmo de sempre. Enquanto a novela prossegue, a bolsa de apostas se aquece. Aumentam as especulações dizendo que Gates, assim como seu estado maior e os principais cérebros da Microsoft, já sabem para onde ir caso a sentença seja mantida: a Apps, que teria um faturamento de US$ 13 bilhões, contra US$ 10 bilhões da Ops. Não é o dinheiro que os move nessa escolha de Sofia. É a visão do futuro. Desprovido dos aplicativos, o Windows é um negócio enfraquecido, que tende a minguar. Tudo o que pode render daqui para frente estará na outra empresa.

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