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O
CORONEL: Ele comanda um império de R$ 685 milhões,
que inclui as Lojas Riachuelo
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Sr.
Nordeste
A incrível
trajetória de Nevaldo Rocha,
que fugiu da seca e criou o grupo Guararapes, um dos maiores do setor
têxtil no País, agora recuperado da concordata
Ricardo
Osman
Desde
a batalha dos Guararapes, da qual saíram derrotados os holandeses,
não se via uma virada tão espetacular nos cantões
do Nordeste. A ofensiva das Confecções Guararapes
e Lojas Riachuelo reverteu, em uma década, as piores expectativas
feitas sobre seus destinos, baseadas no pedido de concordata na
Justiça, em 1990. Transpostos os parâmetros do campo
de batalha para o dos negócios, o conglomerado, cuja primeira
fábrica foi fundada no Recife (PE), perto de onde os holandeses
tombaram, superou um cenário desfavorável e reafirmou
seu domínio no mercado. As dívidas de US$ 50 milhões
são coisas do passado e as incertezas deram lugar à
ascensão, com faturamento atual de R$ 685 milhões.
O comandante da manobra foi o fundador da empresa e seu presidente.
Nevaldo Rocha, 73 anos, nascido no sertão de Caraúbas
(RN), revelou-se um hábil estrategista. Pediu trégua
por um ano aos credores, tornou a confecção e as lojas
mais independentes atualmente, apenas 8% do que é
vendido nas Riachuelo vem da Guararapes , absorveu toda tecnologia
de ponta disponível e marchou sobre os adversários.
Algo à altura de quem desembarcou no mundo dos negócios
ainda adolescente, oferecendo relógios às tropas norte-americanas
da então base aérea dos Estados Unidos, em Natal (RN).
O
comércio com os aviadores aliados, durante a II Guerra Mundial,
foi o toque de avançar de um conglomerado que hoje tem 13
mil funcionários, fábricas em Fortaleza (CE) e Natal,
lojas em São Paulo (SP) e marcas famosas como a Pool. Desde
meados da década de 90 o lucro é crescente. No ano
passado, foi de R$ 51 milhões. De 1998 para 1999, as vendas
cresceram 31%, indiferentes à crise do País. O vice-presidente
do grupo, o filho do fundador, Flávio Rocha, de 41 anos,
esteve ao lado do pai na reviravolta. Por causa das dificuldades
financeiras e das confecções clandestinas, que tinham
como vantagem competitiva a sonegação, chegamos a
questionar se fazia sentido mantermos a Guararapes e a Riachuelo,
conta Flávio. "Mas decidimos seguir em frente e deu
certo."
A
Riachuelo tornou-se a segunda maior administradora de cartões
de crédito do comércio varejista, com 3,5 milhões
de cartões. O pagamento a prazo é uma vantagem sobre
o comércio da economia informal. Atualmente, 75% do faturamento
do grupo vem das Riachuelo. Ainda este mês, o grupo mergulhará
fundo na Internet. A Guararapes, cujo processo industrial vai do
algodão a roupa pronta, estará ligada a 10 mil lojistas
de todo o País. No ano que vem, será a vez de os consumidores
fazerem suas compras pela rede. Há dez anos, neste
setor, havia o pequeno e ágil comerciante e o grande, mas
lerdo, conglomerado têxtil, mas a tecnologia alterou esta
relação, avalia Flávio. De lá
para cá, as lojas foram conectadas via satélite, os
canais de suprimento das prateleiras foram integrados eletronicamente,
o que permite à fábrica saber em tempo real o que
o mercado está comprando e querendo. Temos, agora,
outra realidade: a do pequeno e lerdo comerciante, por não
dispor de tecnologia, e a do grande e ágil conglomerado.
A
história do grupo remonta a 1939, quando a seca castigou
os Rocha no sertão. O jovem Nevaldo, com apenas 12 anos,
deixou a escola para tentar a sorte em Natal. Encontrou abertas
as portas da pequena relojoaria do judeu Moisés Fernann.
Conseguiu emprego e passou a vender, como ambulante, relógios
perto das casas de câmbio, parada obrigatória dos militares.
Natal, nesta época, era ponto estratégico para a aviação
dos EUA, incumbida das operações de defesa do Atlântico.
Quando Fernann retirou-se para Recife, já no fim da guerra,
vendeu a loja a Nevaldo. Hoje, o fundador comparece todos os dias
na sede da empresa, em São Paulo. Avesso a entrevistas, Nevaldo
mostrou bom humor: Quando eu tiver a idade do João
Santos (produtor de cimento do Nordeste, de 92 anos, que concedeu
recentemente entrevista à DINHEIRO) estarei mais à
vontade para falar. .
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