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NEGÓCIOS/LOBBY
Foto: Biô Barreira
ALÍVIO: Indústria de armas nacional comemora adiamento na votação do projeto
Adeus às armas?
Um ano depois de despertar debates
nervosos, projeto que proíbe a venda de armamentos no País patina no Congresso

Nelson Rocco

Capaz de abalar o desempenho da indústria nacional de armamentos, alterar indicadores sociais e mexer com estatísticas internacionais, o projeto de lei que proíbe a venda de armas de fogo e munições no País foi atingido na semana passada por dois atiradores desastrados. Principais defensores do projeto, o líder do governo José Roberto Arruda (PSDB-DF) e o relator Renan Calheiros (PMDB-AL) faltaram à reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na quarta-feira 7. O primeiro estava em Londres, num encontro oficial. Calheiros, em Brasília, perdeu a hora da sessão. As ausências provocaram o terceiro adiamento da apreciação da legalidade do projeto que há um ano desperta paixões a favor e contra em todo o País.

O novo breque na tramitação legislativa representa um alívio para as três indústrias nacionais de armamentos. Um revólver cujo custo médio é de R$ 400 recolhe 72% de seu preço de venda em impostos, mas mesmo assim a única fabricante brasileira, a Forjas Taurus, prefere pagar os tributos a ver a nova lei ser aprovada. É compreensível. O faturamento da empresa no ano passado alcançou R$ 134 milhões, R$ 26 milhões a mais do que em 1998. A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) também apresentou desempenho positivo, com um total de vendas em 1999 de R$ 64,5 milhões contra R$ 61,3 milhões no ano anterior. O terceiro integrante deste clube, a Amadeu Rossi Metalúrgica e Munições, fabricante de espingardas, mesmo perdendo fôlego atingiu no ano passado um total de R$ 7,3 milhões em vendas contra R$ 7,8 milhões no período anterior.

“Do Congresso, queremos bom senso”, afirma Carlos Murgel, presidente da Taurus e da Associação da Indústria de Armas e Munições. Ele vai a Brasília a cada rodada legislativa por temer que seu negócio seja ferido de morte. “As vendas de armas representam entre 65% e 70% do nosso faturamento”, diz.

O CUSTO DA VIOLÊNCIA
Em % do PIB
  Brasil
Substituição da mão-de-obra e redução do consumo 3,4
Queda de produtividade 2,2
Assistência à saúde 1,9
Perdas materiais 1,4
Indenização de seguro 1,6
Total 10,5

Gestado no governo, o projeto original já foi perfurado por diversas exceções. A idéia era proibir a fabricação de armas no País. Em sucessivas emendas, porém, esta regra desapareceu e mesmo as restrições de comercialização foram aliviadas. Pelo texto atual, empresas de segurança, clubes de tiro e moradores de zonas rurais podem comprar armamentos. Os civis terão de devolver as armas no prazo de um ano a partir da aprovação.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) calcula que o Brasil perdeu 10,5% do PIB em 1998 com gastos provocados pela violência. “Cerca de 90% dos homicídios ocorrem pelo uso de armas de fogo”, diz José Vicente da Silva Filho, pesquisador do Instituto de Economia Fernand Braudel. “Nos países em que há limitações sobre vendas, esses indicadores têm porcentuais bem inferiores.”

Desde 1942, quando o primeiro revólver foi fabricado no País, o mercado interno já absorveu 5,7 milhões de armas. Em 1997, o porte ilegal passou a ser considerado crime. As vendas despencaram. No primeiro ano de aplicação da lei elas caíram em São Paulo de 41,4 mil para 25,3 mil. Em âmbito nacional, a proibição de comercialização reduziria esses números a quase zero.

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