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ECONOMIA/SERVIÇOS
Foto: Ciete Silvério
CARRO VAZIO: Empresas como a DHL, de Silva, podem perder 65% de seu faturamento caso a lei garanta aos Correios o monopólio sobre encomendas de até dois quilos
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Lei Postal beneficia Correios e irrita setor privado

Juliana Almeida

A Lei Postal, veja só, ganhou um apelido nada animador: AI-5 Postal. Mesmo depois das recentes reformulações, ela está longe de ser um exemplo de democracia. Sua primeira versão, que claramente favorecia os Correios, foi severamente contestada pelas empresas de encomendas expressas e de courier. O jurista Celso Bastos a considerou inconstitucional por ferir os preceitos da livre iniciativa. Nem mesmo os franqueados e os funcionários da estatal ficaram quietos, uma vez que sentiram seus empregos ameaçados por alguns artigos da nova lei. O descontentamento geral obrigou o deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP), relator do projeto, a fazer algumas alterações, principalmente quanto ao monopólio (ou exclusividade) dos Correios em algumas áreas.

Entre as pérolas do documento original estavam o fim das franquias existentes; a criação de monopólio para entrega de boletos e cobranças bancárias, revistas e jornais; o poder absoluto da Agência Nacional de Serviços Postais (Anapost), que seria superior ao do Cade, do Procon e da Secretaria de Direito Econômico. Todos estes pontos foram abolidos do projeto. “A lei era uma tremenda sacanagem”, diz, sem rodeios, Celso Ricardo Estrella, dono da Epatil, empresa de transporte de encomendas e de documentos, fundada há 40 anos. Se os serviços prestados pela Epatil virassem monopólio dos Correios, a empresa, com 250 funcionários e faturamento de R$ 30 milhões, seria obrigada a fechar as portas em seis meses, de acordo com a lei. Assim como ela, outras teriam o mesmo fim, ou seja, cerca de 200 mil pessoas desempregadas no setor e uma indenização de R$ 4 bilhões a ser paga pela União, segundo estudo do Comitê das Empresas de Encomendas Expressas (CEEE).

Dos 12 pontos considerados polêmicos, de acordo com a advogada do CEEE, Emília Soares de Souza, restam três a ser derrubados: o monopólio sobre correspondência agrupada (documentos diferentes no mesmo pacote), a regionalização do País, sendo necessário pedir uma autorização para atuar em cada cidade, e a falta de especificações a respeito da entrega de cheques e de cartões plásticos. No caso das empresas de courier, como DHL, Federal Express e UPS, os pedidos de alteração não foram acatados. “Ainda temos esperança de ser excluídos da lei”, diz Oscar de La Fuente, presidente da UPS no Brasil. “O serviço delas está cada vez mais parecido com o dos Correios e por isso elas estão sujeitas às mesmas regras”, rebate Marcelo Perrupato, secretário de serviços postais do Ministério das Comunicações.

Caso sejam incluídas na lei, as empresas de courier têm ainda outro pedido: mudar o peso das entregas que passaram a ser monopólio dos Correios – o projeto estabelece em até dois quilos. “Cerca de 65% do nosso faturamento vem das encomendas abaixo de dois quilos, justamente a faixa que querem nos tirar”, argumenta Maxwel Silva, da DHL. É nesse filão que está a maior parte dos pedidos feitos via Internet, o que significa que os Correios querem mesmo é ficar com o filé mignon. Procurado, o presidente dos Correios, Egydio Bianchi, preferiu não comentar a Lei Postal.

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