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NEGÓCIOS/SOBREVIVENTE
Foto: Gustavo Lourenção
EBERHARDT: “Até aceito alianças, mas não negocio o controle da empresa”
Duro na queda
Saiba como Pedro Eberhardt, dono da Arteb, resistiu ao avanço estrangeiro
no setor de autopeças

Mariza Cavalcanti

Quando Abraham Kasinski, José Mindlin e Celso Varga venderam suas empresas a grupos internacionais, em meados dos anos 90, os analistas do setor de autopeças apressaram-se a anunciar que o próximo a ceder seria Pedro Eberhardt, dono da Arteb. Na bolsa de apostas do mercado, a pergunta não era “se”, mas “quando” ele cederia o controle da fabricante de iluminação automotiva a alguma empresa mundial. Porém, para surpresa de todos, o ex-presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Autopeças (Sindipeças) resistiu bravamente e continua até hoje à frente da companhia fundada pelo pai em 1934. Ao contrário do que fizeram seus ex-colegas de setor. Kasinski deixou a Cofap para montar uma fábrica de motos; Mindlin refugiou-se em sua biblioteca e Varga usou o dinheiro ganho com a venda da Freios Varga em empreendimentos como uma empresa de embalagem. Mas não foi fácil para Eberhardt contornar o assédio. “Foram muitas as visitas de bancos e multinacionais, mas rejeitei todas”, abrevia o valente Eberhardt. “Não descarto nenhuma conversa com interessados em participar da Arteb, mas jamais passarei o controle.”

A resistência do empresário às investidas externas não significa que a Arteb tenha ficado imune às turbulências do setor. Pelo contrário. As crises geradas pelo acirramento da concorrência, principalmente a partir da segunda metade dos anos 90, dificultaram bastante as operações da empresa. “Nem isso me intimidou”, frisa. Para conferir à empresa estirpe e porte necessários à briga com as gigantes, Eberhardt se aliou a parceiros internacionais, modernizou o parque industrial e investiu nas exportações. A vitória ganhou um sabor especial desde que se iniciou o ano de 2000. Em reunião com os executivos da empresa, ele recebeu boas novas. Os problemas que forçaram o ciclo de baixa lucratividade, principalmente de 1994 a 1999, estão dando uma trégua. “Neste ano, o lucro virá!”, celebra.
Desde 1956 circulando pelas linhas industriais da Arteb, Eberhardt, 63 anos, acompanhou – e protagonizou – a história da companhia e boa parte dos movimentos de sobe e desce da indústria automotiva no Brasil. “Hoje, vivemos um momento peculiar no País”, diz. “Embora o volume produzido se iguale ao da produção no início dos anos 90, temos grandes oportunidades no mercado internacional.” Foi esse rumo que ele seguiu para colocar a Arteb dentro da nova linhagem de indústrias do setor. “Precisei dar esse perfil à Arteb”, conta.

Ele amarrou alianças estratégicas com empresas como a alemã Hella, que tem 8,5% de participação da Arteb, e associou-se à International Finance Corporation, do Banco Mundial, a quem transferiu 7% em troca de crédito. Outras ações: firmou parcerias tecnológicas com a japonesa Koito, a alemã Bosch, a austríaca ZKW e a italiana Magneti Marelli. Nos últimos três anos, destinou cerca de US$ 80 milhões à modernização da fábrica de São Bernardo do Campo e à construção de outras três. “Enquanto as indústrias fogem do ABC, nós investimos”, ressalta. As duas fábricas novas são resultado de cobiçados contratos junto às montadoras. Uma está sendo instalada em Gravataí (RS) para atender à nova linha de produção do Blue Macaw, o carro da GM que começa a ser fabricado em julho. Outra unidade começou a ser erguida em Camaçari (BA) para fazer parte, em dois anos, da produção da linha de carros Amazon, da Ford. Há dois anos, a companhia diversificou suas operações. Montou uma fábrica em São José dos Pinhais (PR), que produz, junto com a Hella, peças para carros da Volks.

Todas as artimanhas do empresário levaram-no a abocanhar 60% do mercado de iluminação automotiva, contra os 35% de dois anos atrás. E ainda o animam a apostar num crescimento na receita da empresa, em 2000, para R$ 170 milhões, contra os R$ 115 milhões de 1999. Depois de tantas evidências na disposição de Eberhardt em ir não mão contrária de seus ex-colegas de setor, cabe a pergunta: “O senhor é teimoso?”. “Sou persistente, otimista e arrojado”

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