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Foto: Biô Barreira
APOIO: Boletim é cobrado e quem vai mal tem aulas de reforço escolar
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Projeto da Fundação Banco do Brasil leva o mundo dos esportes para os pés das crianças carentes

Fernando Neves

A audiência do desenho animado Pokémon anda em baixa em Itapecerica da Serra, município da região metropolitana de São Paulo. Os monstrinhos japoneses encontraram há um mês um competidor de peso na disputa pela atenção das crianças: o esporte. Três vezes por semana, das 8 às 11 horas, 100 crianças de famílias de baixa renda trocam a televisão pelo futebol, vôlei e capoeira, entre outras atividades oferecidas no programa Integração AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) Comunidade. Para muitas crianças, a ida ao clube representa a oportunidade de quebrar a rotina nada infantil, tomada pelo trabalho em casa, muito comum entre a garotada da periferia. “Antes de vir para cá eu ajudava minha mãe na arrumação. Agora eu jogo basquete”, conta Rafaela, uma loirinha de 11 anos que sonha em brilhar nas quadras com o uniforme da seleção brasileira.

O programa foi criado pela AABB em 1987, sendo encampado no ano seguinte pela Fundação Banco do Brasil. O investimento anual é de R$ 7 milhões. “É pouco”, admite a presidente da Fundação, Heloisa Helena de Oliveira, que tem à sua disposição R$ 55 milhões ao ano para todas as atividades sociais da instituição. Trata-se do segundo maior orçamento do Terceiro Setor no País. Mesmo considerado baixo pela presidente da Fundação, o investimento banca o projeto para 40 mil crianças em 300 clubes da AABB. O objetivo do programa é proporcionar atividades esportivas àqueles que não têm acesso formal a elas e, desta forma, reforçar a educação. A variedade de atividades é grande. “Os professores prometeram ginástica olímpica se a gente se dedicar”, explica Luciane, de 11 anos. A dedicação a que ela se refere não é só às aulas de esporte, mas também à escola. As crianças que participam do programa têm que estar matriculadas e estudando. Nos três dias de atividades, os alunos são levados por ônibus da AABB até o clube, onde eles têm direito a café da manhã e almoço. De lá, são deixados em suas respectivas escolas.

O desempenho nos boletins é cobrado no programa que, em vez de cortar as atividades de quem vai mal, fornece apoio. A ajuda é feita nas aulas de reforço escolar, onde os alunos podem pedir auxílio nas tarefas e acompanhamento nas matérias. Os professores que participam das atividades extra-classe são cedidos pela própria rede pública e recebem treinamento adicional na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Essa nova orientação tem ajudado a despertar o interesse das crianças pelo aprendizado, o que, na prática, diminui o índice de repetência. Em cidades onde o programa existe há mais tempo, como Fortaleza, o percentual de alunos que foram reprovados e são ligados ao programa é de 5%, contra 25% entre os demais estudantes. O calcanhar-de-aquiles da meninada ainda é a matemática. “É a matéria mais difícil”, reclama Eric, um menino tímido que se revela com uma bola nos pés. “Vai Marcelinho, passa por um, por dois e... gol!”, narra representando o ídolo. Como Eric, outra criança que se destaca no futebol é Denise, que joga no meio-de-campo. Sim, os times são mistos e integram meninos e meninas. “Sou boa centroavante”, diz. O sonho de todos é brilhar no esporte vestindo as cores da seleção brasileira - um sonho que agora deixou de ser impossível.

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