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FERNANDES:
Empreendedor polivalente planeja voltar a ativa
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A
volta do Midas Luiz Cezar
Ex-banqueiro
vai atrás de suco de laranja, transporte e imóveis
Simone
Goldberg
Nos
tempos do Pactual, da Benetton e das estratégias miraculosas
de recuperação de empresas, Luiz Cezar Fernandes
fez fama de empreendedor polivalente. Qualquer oportunidade de
lucro e ele estava lá, beliscando negócios em diferentes
áreas, engordando a cada dia o patrimônio. Até
que vendeu sua parte no Banco Pactual, em setembro passado, e
refugiou-se na fazenda Marambaia, localizada em Correas, interior
do Rio de Janeiro. Disse, na época, que iria se dedicar
apenas à criação de ovelhas. Mas imaginar
Luiz Cezar contando carneirinhos é algo que chega a ser
irônico para quem acompanha sua trajetória desde
os tempos de funcionário de Jorge Paulo Lemann, ex-Garantia.
No mercado, já se sabe que Luiz Cezar foi contratado pela
Arbed grupo que controla a Belgo Mineira para tentar
alinhavar a compra de uma parte da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch. Fora isso, o ex-banqueiro
tem US$ 100 milhões no bolso para gastar e recuperar o
estilo eclético de fazer negócios. No bucólico
cenário campestre, ele traça a estratégia
de investimentos a partir da reorganização de sua
holding que leva o mesmo nome da fazenda. Pendurados na
Marambaia estão uma empresa de táxi
aéreo, vários imóveis e uma exportadora de
suco de laranja. Esta última rende cerca de US$ 80 milhões
por ano. Depois de 46 anos de banco, ser trader é
um mundo novo. Dá até vontade de crescer,
comenta Fernandes. Ele exporta cerca de 45 mil toneladas anuais
de suco, fornecidas por quatro fabricantes do interior paulista.
O principal mercado é a Europa. Além das laranjas,
o ex-dono do Pactual cultiva participações relevantes
nos setores de telefonia e siderurgia, que, somadas, valem perto
de US$ 100 milhões. E, como não poderia deixar de
ser, também sonha em voltar ao mercado nas ondas da Internet.
Ainda não entendi direito essa história de
Internet, nem para onde vai. Preciso de tempo para me aculturar.
Mas é uma área que seduz, diz o ex-banqueiro.
Ah, sim, ainda há a criação de ovelhas em
seu portfólio de negócios.
De
cachimbo no canto da boca, voz mansa e gestos lentos, Fernandes
é o retrato da prudência. Sua filosofia pode ser
resumida desta forma: não entra em barco sem testar primeiro
o colete salva-vidas. Não faço nada sem planejamento.
Ainda tenho muito o que aprender sobre essa nova economia.
E que tipo de negócio o ex-banqueiro abriria para participar
das empreitadas da moda? Acho que há espaço
para logística. É o desafio do século e de
todas essas empresas nascidas no mundo virtual, sentencia.
Apenas como aperitivo para suas futuras aventuras tecnológicas,
Fernandes está montando uma infra-estrutura de ficção-científica
em seu escritório, encravado no verde da serra fluminense.
A lista inclui computadores, linhas telefônicas, fibra ótica
e demais engenhocas que permitem conectar-se com o mundo. Cuidei
pessoalmente da reforma do escritório. Em três ou
quatro meses vai estar tudo pronto. Aí sim, posso sonhar
e planejar.
Pode parecer estranho que alguém tão acostumado
à gangorra e adrenalina do mercado financeiro tenha se
adaptado tão bem à vida bucólica. Mas a fazenda
Marambaia, um cenário verde que tem o privilégio
de exibir um projeto paisagístico de Burle Marx, ocupa
as horas que Fernandes dedicava ao banco, sem traumas nem saudades.
Agora, depois de décadas de dedicação quase
exclusiva ao trabalho, sobrou tempo para a mulher Cecília
seu terceiro casamento , para os filhos, netos e
amigos. Tirá-lo da fazenda é tarefa cada vez mais
difícil. Vou ao Rio uma vez por semana participar
de reuniões ou encontros sociais. Com a Internet, dá
para fazer praticamente tudo de qualquer lugar, não tenho
porquê sair de casa.
Na fazenda, o xodó do ex-banqueiro é o rebanho de
duas mil ovelhas. É comum vê-lo gastar horas com
elas. Anda entusiasmado com processos de seleção
genética para criar espécimes de melhor qualidade,
tem fechado convênios para pesquisa com universidades e
agora descobriu um meio de alavancar os ganhos com os bichos.
Vai vender reprodutores e matrizes, cujo valor é bem maior
do que a carne vendida para abate. Sou o maior criador de
ovelhas da raça Santa Inês do Brasil e a fazenda
Marambaia é a maior fonte de difusão de informações
sobre o assunto, orgulha-se. Mas, apesar de tanto empenho,
a fazenda não entra no rol dos negócios milionários
de Fernandes. Quando vendeu sua parte do Pactual, em setembro
do ano passado, Fernandes embolsou cerca de US$ 100 milhões.
As ovelhas rendem meio milhão de dólares por ano,
pouco menos que a metade do faturamento da empresa de táxi
aéreo em torno de US$ 1,3 milhão. Diante
desses números, não seria de fato uma surpresa se
ele retornasse à cena financeira nas asas do milionário
mercado do e-bussiness.
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