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NEGÓCIOS/ENTREGA DO BASTÃO
Foto: Biô Barreira
RENDIÇÃO: Na quarta-feira, 31, na sede da Vale, no Rio, Steinbruch passa a presidência para Roger Agnelli (sentado). Pressão da Previ e da Bradespar fizeram o empresário jogar a toalha
E agora? O que será de Benjamin
O barão do aço é forçado a deixar a Vale e dá sinais de perda de poder. A única jóia que resta é a CSN

Darcio Oliveira e Simone Goldberg

Box 1: “Todos estão ganhando”
Box 2: O novo homem de ferro
Box 3: Um novo leilão na vale

O homem de aço está vulnerável. Depois de três semanas de intensas negociações, Benjamin Steinbruch, o ex-playboy que se tornou todo-poderoso da Companhia Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce foi forçado a passar a presidência do Conselho de Administração da mineradora para Roger Agnelli, presidente da Bradespar, e obteve de seus sócios assinaturas num contrato para começar o descruzamento das participações acionárias do setor siderúrgico. Na quarta-feira 31, após um dia inteiro de reuniões e uma noite mal dormida, Steinbruch sucumbiu à pressão da Previ e da Bradespar e jogou a toalha. É o primeiro sinal concreto, desde que venceu Antônio Ermírio de Moraes no leilão da Vale em 1997, de que ele não exibe mais o poder de articulação que o alçou à condição de símbolo do empresariado brasileiro, um modelo de modernidade a ser seguido. “Quem era o Benjamin? Um herdeiro da Vicunha, uma empresa têxtil problemática, que um dia comprou a CSN com moedas podres”, diz um economista que o conhece bem. E completa: “Ele comprou a Vale com a ajuda de bancos e fundos de pensão. Mas alguns passos mal dados atrapalharam seus planos de ser um tycoon brasileiro”.

E quais foram os maus passos? “Um deles foi o sonho de montar um império minero-siderúrgico, aproveitando as sinergias entre Vale e CSN. Não conseguiu e perdeu prestígio”, diz o economista. Não faltam no Brasil exemplos de empresários que quiseram abraçar o mundo, foram ao Olimpo e, em menos de uma década, começaram a difícil escalada para baixo. Benjamin era o símbolo da nova geração há pouco menos de seis anos. Agora, aos 46 anos, chega a dizer que já fez muito e que quer servir de exemplo para futuros empreendedores. “O problema de Steinbruch é que ele encara a siderugia como mais um negócio para ser comprado e vendido na primeira boa oportunidade”, diz o presidente de uma grande empresa do setor.

O fato é que Steinbruch não esperava a derrota na Vale. Não pensava que suas diferenças com os sócios Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e Bradespar (empresa de participações do Bradesco) fossem capazes de tirá-lo da presidência do Conselho de Administração. As relações entre eles vinham, digamos, se arrastando desde a compra da Vale, em 1996. Comandantes do fundo de pensão e do banco não concordavam com os métodos de trabalho, interesses e ambições de Steinbruch. E ainda traziam mágoas da CSN, onde sentiam-se mal representados, mesmo tendo 31,7% de participação, contra 16,3% da Vicunha, empresa da família de Steinbruch. A explicação é que a Vicunha está na CSN desde a sua privatização e é majoritária no bloco de controle, o que justifica tal mecanismo de comando. Bradesco e Previ esperavam que a situação fosse mudar no ano passado, com o vencimento do acordo de acionistas. Mas Steinbruch renovou automaticamente o acordo e manteve o comando. Por isso, Bradesco e Previ resolveram dar a CSN todinha para ele. E tirar a Vale. Foi um duro golpe para o barão do aço. O homem respira poder e está sempre sonhando em multiplicar seus domínios. Em Brasília, essa fama já correu mundo. O deputado Delfim Netto (PPB-SP) costuma dizer que às vezes ele parece querer crescer além das possibilidades. Para ilustrar bem o estilo do dono da CSN, vale uma breve história. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), que foi colega de Steinbruch na faculdade, conta que certa vez seu filho Pedro achou na rua US$ 300. Disse que iria ficar com US$ 100, dar US$ 100 à irmã e US$ 100 ao avô. Steinbruch, que acompanhava a família Mercadante na ocasião, disse: “Pedro, você deveria ter guardado os US$ 300, investido e dividido com a irmã e o avô somente os lucros”. Steinbruch sonha alto até de brincadeira.

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