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AGNELLI:
Em 90 dias, as operações estarão
descruzadas
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Box
1: Todos estão ganhando
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2: O novo homem de ferro
Box
3: Um novo leilão na vale
Ele
sempre sonhou, por exemplo, com um império minero-siderúrgico
nacional, em que estariam entrelaçadas empresas como Acesita,
Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Vale e CSN
e o que mais ele pudesse arrastar para seus domínios. Eram
planos ambiciosos. Em 1997, o empresário queria participar
da privatização da Siderúrgica Del Orinoco
(Sidor), maior usina de aço da Venezuela. Os sócios
Previ e Bradespar vetaram a operação. No ano seguinte,
quando Steinbruch veio com a idéia de comprar a CST, a
Previ que detinha ações na empresa
fechou a porta e preferiu negociar com a francesa Usinor. Benjamin
ainda tentou comprar a Acesita, mas todo o plano dele foi por
água baixo, diz Carlos Antônio Magalhães,
consultor da Sirotsky & Associados. Amigos próximos
do empresário dizem que ele não engole até
hoje a atitude dos sócios. Talvez tudo isso explique o
clima tenso nas reuniões dos últimos dias na sede
da Vale.
No
encontro da quarta-feira, além de definir a sucessão,
os sócios assinaram um memorando, uma espécie de
protocolo de intenções que define o que o mercado
já sabia: o grupo Vicunha, de Steinbruch, vai ficar com
as participações da Previ e da Bradespar na CSN
e a Previ e a Bradespar vão comprar a parte da CSN na Vale.
O grupo Vicunha vai concentrar seus negócios em siderurgia.
A Previ e a Bradespar saem da CSN e ficam com a Vale, disse
Steinbruch após o encontro dos sócios na sede da
mineradora, no centro do Rio de Janeiro. Só depois de assinado
o acordo, o empresário concordou em deixar a presidência
do Conselho. O que ele fez, na verdade, foi capitalizar a saída
da maneira mais honrosa possível. Afinal, ele perde espaço
no cenário empresarial, mas abre caminho para consolidar
seu poder na CSN. O descruzamento de posições no
setor só vai acontecer de forma efetiva dentro de 60 ou
90 dias, segundo o mercado. Ele não falou em valores
justamente a pedra no sapato das negociações. Chegamos
a um preço convergente, mas não podemos abrir. É
um valor bastante positivo para todos os envolvidos, diz
Steinbruch. Mas o mercado calcula que o empresário precisará
desembolsar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,1 bilhão
para comprar o naco da Previ e Bradespar na CSN. E que sua participação
na mineradora exigiria dos compradores entre US$ 1,3 bilhão
e US$ 1,5 bilhão. Em tese, Steinbruch sairia no lucro.
Acontece que parte do que irá receber servirá para
pagar dívidas da CSN e parte será distribuída
entre os acionistas. Steinbruch ficará com algo em torno
de US$ 600 milhões nas mãos. Por isso terá
de recorrer ao financiamento para comprar a parte dos sócios.
Diz o mercado que metade da dinheirama que Steinbruch precisa
deverá vir do BNDES e de um consórcio de bancos
privados, liderado pelo BankAmerica, com captação
no Exterior. O presidente do BNDES, Francisco Gros, não
esconde que é a favor desse financiamento, sob o argumento
de que a reestruturação do setor siderúrgico
é estratégica para o País.
À primeira vista, pode parecer que Steinbruch saiu derrotado.
Ele, é claro, não concorda. E alguns analistas de
mercado acham que Benjamin, depois do descruzamento ficará
com 51% da siderúrgica terá possibilidade
de recuperar seu título de barão da siderurgia em
pouco tempo. De qualquer forma, para alguém que comprou
pouco menos de 10% da siderúrgica em 1993, sua posição
não é de todo má. A CSN está prestes
a iniciar uma expansão internacional, que vai incluir a
compra de uma usina no Exterior e a construção de
uma planta industrial em Itaguaí (RJ).
Além disso, o setor, segundo um analista, entrará
numa fase de criação de grandes grupos. A
CSN tem muitas opções de crescimento. Uma delas
é se juntar à Usiminas. Isso a tornaria a quinta
maior siderúrgica do mundo, diz o analista. Não
é só a Usiminas que poderia estar nos planos. A
européia Arbed, controladora da Belgo-Mineira, é
claramente interessada em participar da CSN, assim como o grupo
Gerdau. O próprio Steinbruch diz que logo depois de desembrulhar
o pacote das participações acionárias cruzadas,
a CSN estará aberta a associações.
Se a CSN ainda está em compasso de espera pelos grandes
acontecimentos, do outro lado, o da Vale, o clima é de
euforia. Não só pela vitória na sucessão
da presidência do Conselho, mas pelos acordos firmados ao
longo da última semana. Na mesma quarta-feira tensa de
reuniões, enquanto Benjamin e os sócios duelavam
a portas fechadas, os executivos da Vale alinhavavam o maior acordo
da história da companhia. Naquele dia, a Vale desembolsou
R$ 978 milhões pela Samitri, pertencente à Arbed.
Passou a ter 24% do mercado mundial de minério de ferro.
De quebra, levou a Samarco (produz pelotas de minério de
ferro) e firmou uma parceria com a australiana BHP, sua maior
concorrente no mundo. Foi um golpe de mestre, mais um passo para
a consolidação da Vale como um dos maiores grupos
privados do País. Benjamin Steinbruch perdeu. Resta saber
se terá fôlego para levantar a CSN.
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