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Foto: Gustavo Lourenção
SCHIMIDT, DE OPLANETA: Receita com publicidade já na primeira semana
Radicais fazem a festa na Web
Já são mais de 300 os sites de aventura no Brasil

Juliana Simão

Surfar na Internet não é coisa de careta, e pode deixar de ser atividade sedentária. Prova disso é a recente onda que vem sacudindo a Web: nos últimos meses, entraram no ar mais de 300 endereços especializados em esportes radicais. Só no Brasil. Eles reúnem toda a informação útil, e inútil, para amantes dos esportes e da natureza. De esqui aquático a paintball, de surfe a mergulho, de montanhismo a skate. Em comum, lutam pelo mesmo, e imenso, nicho de mercado: público “jovem” – não de idade, garantem os criadores dos portais, mas de cabeça. Um público potencial de 2 milhões de internautas. No ar desde a semana passada, Oplaneta é um exemplo de que esporte radical pode dar lucro. O site, que tem investimento de US$ 10 milhões, já trabalha com receita positiva. “Só a publicidade paga a estrutura da empresa”, conta o publicitário e (é claro) surfista Alexandre Schimidt. Mas os planos não param por aí. No próximo mês, começa a vender acessórios para a prática de esportes. “Existe um público fiel. Faltava uma boa opção na Web”, diz. Depois de conquistar o Brasil, o plano é voar alto: desembarcar na América Latina, Espanha e Portugal.

Poder jovem. Esse otimismo encontra amparo nas previsões de mercado. Até 2004, prevê o instituto americano Forrester Research, a publicidade em sites esportivos alcançará US$ 2,4 bilhões. E o comércio eletrônico segmentado atingirá US$ 4,7 bilhões – ou 7% das vendas ao consumidor. A chave para o sucesso? “Nosso alvo são os jovens que, coincidentemente, são a maioria dos conectados e têm um enorme poder de consumo”, explica Felipe Zobaran, diretor do SuperSurf, que está no ar há dois meses. No Brasil, os empreendimentos não contabilizam lucros. Ainda. Mas o interesse inicial é animador. Dois endereços de surfe hospedados pelo UOL, Supersurf e camerasurf, recebem 4 milhões de pageviews ao mês. “Já estão entre os mais acessados de todo o portal”, conta Enor Paiano, diretor de parcerias do UOL. A grande limitação é conseguir anunciantes para sustentar o negócio. “Os sites dependem da visibilidade de um grande portal.” A trajetória do Aventure-se, um site que engloba informações, serviços e relatos dos mais diferentes esportes radicais, é semelhante. Hospedado no iG, tem 600 mil pageviews ao mês. E nem precisa se preocupar com coisas mundanas como custos e receitas. Mas seu criador acredita que, sim, o empreendimento é lucrativo. “Nosso público consome de tudo”, ensina o matemático, Osmar Baboin. “Se você diz que é legal ter bicicleta, todo mundo compra.”

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