Do
bolso para a lata do lixo
Aprenda a se
defender do dinheiro falsificado
Marta
Barbosa
Nunca
se falsificou tanto dinheiro no Brasil como agora. O número
de notas falsas apreendidas pelo Banco Central aumentou 23 vezes
nos últimos 5 anos. Em 1994, quando existiam o velho
cruzeiro-real e o real, o BC tirou de circulação
16.192 notas falsas 1.046 delas já eram da nova moeda.
Já no ano passado, foram 383 mil papéis sem valor
encontrados. Hoje se falsifica 365 vezes mais o real do que quando
ele surgiu, em 1994. Surpreso? Para o BC, esse aumento não
foi surpresa e a razão é simples: para quem estava
acostumado com cruzados e cruzeiros, ficou vantajoso
falsificar uma moeda com valor quase igual ao dólar. Nem
mesmo a desvalorização, em janeiro de 99, foi suficiente
para fazer esse interesse diminuir. E sabe qual é a única
forma segura para você não ser vítima do próprio
dinheiro? Redobrar a atenção antes de colocar qualquer
papel no bolso. O brasileiro tem que se acostumar com a
idéia de receber um troco que pode não valer nada,
diz Luís Henrique Cabral, chefe-adjunto de circulação
do BC.
Desde que o real foi criado, as perdas com falsificação
somam R$ 35,9 milhões. Sai perdendo quem recebe a cédula
falsa, já que repassar é crime e o BC não
troca por uma verdadeira. Portanto, não é exagero
nenhum ficar conferindo a nota. Por mais que a falsificação
tenha se modernizado, dá para perceber a diferença
de uma verdadeira. Todas as notas têm, pelo menos, 4 itens
de segurança (confira no quadro). O mais importante deles
é a marca dágua, aquela imagem (que pode ser
a figura da República ou a bandeira do Brasil) que aparece
quando você observa contra a luz. 70% do dinheiro apreendido
não tem essa marca.
| VOCÊ
SABE DIFERENCIAR UMA NOTA FALSA DE UMA VERDADEIRA? |
Marca
dágua
Nas notas de R$ 100 e R$ 50 há a figura da República
(o rosto de uma mulher). Nas de R$ 10, R$ 5 e R$ 1 deve haver
a mesma imagem ou a bandeira do Brasil. |
Registro
coincidente
Compare o desenho dos dois lados contra a luz. As figuras
têm de estar ajustadas. |
Imagem
latente
É o mais difícil de perceber. Coloque a nota
em sentido horizontal, na altura dos olhos e observe a partir
do canto se existem as letras BC. |
Fio
de segurança
Está quase no centro da cédula. Se analisado
sozinho, não dá 100% de segurança pois
pode ser simulado. |
Se
você não tem tempo para analisar os detalhes, aqui
está uma dica: ande com uma cédula autêntica
na carteira uma que você já tenha observado
com calma. Antes de aceitar qualquer real, compare com o que você
tem no bolso. Suspeite de uma mudança de tonalidade ou
espessura. Se mesmo com todos os cuidados você acabar com
uma nota falsa na mão, não há alternativa
senão entregar o papel sem valor em qualquer banco ou numa
delegacia e, o que é pior, calcular quanto você jogou
na lata do lixo.
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