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NEGÓCIOS/NOVA ECONOMIA
Foto: Biô Barreira
LUÍS ERMÍRIO: “Há um ano a Votorantim vem tentando se adequar à Internet. Não poderíamos ficar de fora.”
Jovem Luís filho de Antônio dá novo tom aos Ermírio
O empresário fala da nova empresa do Grupo Votorantin voltada para tecnologia

A terceira geração da família Ermírio de Moraes iniciou, na semana passada, uma nova fase na história do tradicional grupo Votorantim. A partir de uma idéia amadurecida desde o final do ano passado, os jovens membros do clã criaram mais uma empresa, a Votorantim Venture Capital (VVCapital). O novo negócio do conglomerado de cerca de R$ 5 bilhões de faturamento não fará incursões na indústria de base, campo onde maior parte do império brasileiro foi construído. Pelo contrário, seguirá a trilha da nova economia. “Percebemos que o potencial de crescimento nessa área era enorme e defendemos que o grupo não poderia ficar de fora”, explica Luís Ermírio de Moraes, 42 anos. Os filhos empurraram a porta e, depois, contaram com a ajuda de seus pais. E que ajuda. Os irmãos José Ermírio de Moraes Filho, Antonio Ermírio de Moraes, Cláudio Ermírio de Moraes e Maria Helena Moraes Scripilliti desembolsaram US$ 300 milhões para os negócios dos filhos. Confira trechos da entrevista que Luís Ermírio concedeu a DINHEIRO:

DINHEIRO – Que áreas serão enfocadas pela VVCapital?
LUÍS ERMÍRIO DE MORAES –
Todas as que apresentem possibilidades de rápida evolução tecnológica, como infra-estrutura, transmissão de dados, comunicação sem fio, software, biotecnologia, medicina. Serão avaliados desde projetos de desenvolvimento de um combustível alternativo, de um novo meio de comunicação até a criação de um material para prótese cirúrgico revolucionário. Ou seja, produtos que atendam a necessidade do ser humano quanto a conforto, praticidade, facilidades. Na Internet, a intenção é enfocar mais os projetos de business-to-business. Mas não seremos um provedor da vida, como iG, UOL ou Terra. Queremos projetos que utilizem a Web como veículo de comunicação, que dêem impulso a uma maior transparência em todos os elos da cadeia de negócios.

DINHEIRO – Por que ingressar em novas áreas e, conseqüentemente, correr riscos, se o grupo está consolidado nas áreas em que já atua?
MORAES –
Sempre vão aparecer oportunidades que não existiam, por exemplo, há dez anos. Hoje, é possível segmentar o mercado. A especialização é a nova economia. Pequenos ou grandes empresários encontrarão chances em segmentos específicos. A proposta é aproveitar essas brechas por meio de parcerias estratégicas, mesmo que não nos tornemos uma potência com presença mundial.

DINHEIRO – Quando e em que área aconteceu a última diversificação do grupo?
MORAES –
Nos últimos quatro anos, a companhia fez investimentos num novo setor, o de energia elétrica. As oportunidades para o grupo surgem sem data marcada. Às vezes, batem na porta e não se está preparado para agarrá-la, como aconteceu com a privatização da siderurgia. Poderíamos até estar presente na CSN e em outras siderúrgicas, mas não nos mobilizamos para isso. No caso da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, montamos uma equipe enorme, da qual fiz parte, tentamos e não fomos os vencedores. Enfim, há negócios nos quais perdemos o bonde e outros em que conseguimos nos inserir.

DINHEIRO – Que valor deverá ser investido nos projetos da VVCapital?
MORAES –
Cerca de US$ 300 milhões sairão do caixa do grupo para financiar projetos em diversas áreas da nova economia. Mais de dez projetos estão sendo analisados e em dois meses anunciarei dois empreendimentos.

DINHEIRO – Que critérios serão usados na seleção?
MORAES –
Ser competitivo e ter altas taxas de crescimento. Na indústria de base, onde a maioria das empresas do grupo está presente, a média de crescimento é de 3,5% ao ano. Os segmentos em que vamos investir deverão apresentar uma taxa maior do que essa.

DINHEIRO – Com a desvalorização das ações na Nasdaq, não acha que é a hora errada de investir?
MORAES –
O entusiasmo com as empresas pontocom realmente foi muito grande nos últimos anos, mas o que se observa agora é uma correção no nível de valorização delas. O mercado selecionará as vencedoras e sumirão as que realmente eram somente fumaça.

DINHEIRO – Ainda assim, está havendo uma redução de recursos para Internet. Não há risco de a nova economia também perder fôlego?
MORAES –
Riscos existem. A Internet abriu uma janela para que pessoas com pequeno aporte de capital pudessem abrir negócios lucrativos. Mas tenho a impressão de que, para cada uma que obteve sucesso, houve dez que fracassaram. A nova economia será como a convencional: riscos são parte dos negócios.

DINHEIRO – No grupo, já está sendo utilizado o sistema de business-to-business?
MORAES –
Há um ano o grupo vem tentando se adequar à nova realidade da Internet. Praticamente todas as empresas do grupo já estão utilizando sistemas de business-to-business e tiveram ganhos expressivos de eficiência. Existem expectativas de redução de custos na aquisição de insumos na ordem de 5%. Em breve, a companhia investirá numa integração de todos os elos da cadeia produtiva.

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