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SUPERPOWER:
Potro que era de Fragoso deu lucro a Lemgruber
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Paixão
sobre patas
Criar cavalos
é hobby de 9 entre 10 banqueiros
Lucia
Kassai
Ferraris,
jet-skis e charutos cubanos? Nada disso. O hobby da moda entre
os banqueiros brasileiros é criar e apostar em cavalos
de corrida. No Jockey Clube do Rio de Janeiro, por exemplo, não
se discute apenas a candidatura de Julio Bozano à presidência
da instituição. O tema do momento é como
o atual presidente e também banqueiro, José Carlos
Fragoso Pires, está subindo pelas paredes de raiva de seu
rival, o ex-presidente do Banco Central, Antonio Carlos Lemgruber.
Há dois anos Lemgruber comprou do colega um potro, batizado
de Superpower, por módicos R$ 43 mil. Nos últimos
meses, Fragoso viu sua antiga propriedade estourar a boca do balão.
Superpower ganhou R$ 142 mil em prêmios de corrida, e já
é avaliado em R$ 500 mil. O plantel do carioca Lemgruber
rendeu, apenas em prêmios, R$ 915 mil no último ano.
Eles não economizam com o hobby. Jaime Pinheiro, dono do
BMC e um dos maiores criadores de cavalo árabe, aloja seus
animais avaliados em US$ 750 mil em cocheiras projetadas por um
arquiteto francês, com paredes e teto de mármore.
Um espelho dágua, na entrada da propriedade, serve
para a família do banqueiro andar de jet-ski no final de
semana. Seu haras, Vila dos Pinheiros, é todo pavimentado
para não desalinhar a suspensão de seu Porsche 911.
Vaidoso, o banqueiro manda seus cavalos para participar de competições
e, se eles não ganham, fecha a cara e se queixa durante
dias a fio dos juízes da prova. Ele fica inconformado
com um segundo lugar. E não esconde, diz um criador
concorrente.
Nas mesas do bar do Jockey, pode-se ver metade do mercado financeiro
trocando alfinetadas em função do resultado do páreo
do dia. Uma das rivalidades que dão o que falar é
entre Gonçalo Torrealba, do banco Boreal, e Fragoso Pires
briga que acontecia dentro e fora das pistas. O armador
carioca fez fortuna com a companhia de navegação
Frota Oceânica, e o espanhol comandava o grupo concorrente
Libra. Torrealba vem levando a melhor. Fragoso, que levou um tombo
nos negócios, já teve de entregar um lote de cavalos
como pagamento de uma dívida ao rival, e vai deixar a presidência
do Jockey no final do ano. Já Torrealba vai muito bem,
obrigado. Está construindo um enorme haras em Bagé,
no Rio Grande do Sul onde a obra competirá, em tamanho
e tecnologia, com outra que Julio Bozano está construindo
para parte de seu plantel de 700 animais.
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