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FINANÇAS/BANCOS
Foto: Calé
DADOS NA REDE: Laura Cavalcanti, diretora da Algoritmics, que vai lucrar preenchendo formulários
Papelório terceirizado
Burocracia do BC cria novo filão de negócios

Ernesto Bernardes

A vida está difícil para os bancos pequenos. O Banco Central passou a exigir, nos últimos anos, um número cada vez maior de relatórios e formulários. Tanta exigência gerou uma gritaria entre as instituições menores, que reclamam que a estrutura para atender a tanta regulamentação custa caro, e assim fica difícil operar. Mas a novidade também significou oportunidades de negócio para algumas empresas. É o caso da Algoritmics, companhia canadense especializada em análise de risco. Ela pretende faturar alto preenchendo esses relatórios para as instituições que não têm dinheiro para montar uma estrutura própria.
A Algoritmics já tem até data marcada para começar a lucrar com esse filão. A partir de julho, cerca de 2 mil instituições – de bancos de investimento a cooperativas de crédito, passando por corretoras e empresas de leasing – terão de apresentar ao BC relatórios diários contabilizando os riscos a que estão submetidos em função de juros para operações como CDBs prefixados, CDIs e operações comerciais prefixadas. Até o fim do ano, o BC deve editar outras três circulares, exigindo outros relatórios que detalhem posições em ações, cupons cambiais e moeda estrangeira. É uma papelada e tanto, e preenchê-la consumirá um volume considerável de recursos e funcionários.

Sozinha no filão. Para deixar toda essa papelada em ordem, a Algoritmics fornecerá um programa de computador e um sistema de transmissão, que funcionará via RTM (a Rede de Transmissão de Mercado, administrada pela Andima, Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto). A empresa, por enquanto a única a explorar esse tipo de negócio, venderá vários tipos de pacote, desde o mais básico, de R$ 500 mensais – apenas com os relatórios exigidos pelo BC – até um mais sofisticado, de R$ 10 mil por mês, que incluirá 18 tipos de cálculos mais sofisticados e funcionará em uma rede local. “Acreditamos que haverá mais demanda pelo produto mais completo”, festeja a diretora de desenvolvimento e negócios para a América Latina, Laura Cavalcanti.

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