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FINANÇAS/MERCADO DE CAPITAIS
Foto: Gustavo Lourenção
MERCADO GLOBAL: Bolsas estão se unindo para enfrentar concorrência internacional

A BM&F corre o mundo à caça de novos parceiros
Instituição quer engolir pregões menores

Lucia Kassai

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que já foi a terceira maior do mundo e hoje ocupa o décimo posto, está lutando para se manter no mapa do mercado de capitais. Nas últimas semanas, seus diretores saíram à caça de novos participantes para juntar-se à aliança firmada no início do ano, a Globex, que envolve as bolsas de Paris, Montreal, Cingapura e Chicago. Mas nem no mundo das megabolsas a coisa está fácil. Prova disso é que a própria Globex já tem uma rival, batizada de Eurex. “Estamos realmente à procura de novas parcerias e vamos tentar puxá-las para dentro da Globex”, admite Noênio Spinola, diretor de comunicação da BM&F. A idéia é fechar parcerias com instituições menores (eufemismo para “engolir” pequenas bolsas), especializadas em alguns produtos financeiros, como futuros agrícolas.

Em todo o mundo, há 43 bolsas de derivativos. Apenas oito já estão acertadas com alguma aliança. A maioria trabalha apenas com produtos ligados às economias regionais – como café, açúcar, algodão ou soja. O desafio de encontrar parceiros para atuar na Globex é grande. A aliança, que tem início de operações marcado para o próximo ano, será um grande pregão eletrônico, onde as associadas não poderão concorrer entre si. Se a BM&F disponibilizar um contrato de café, terá exclusividade: nenhum outro membro poderá fazê-lo. A briga é para ver quem vai oferecer o quê.

A BM&F ainda vai precisar comer muito arroz com feijão – e alguns pregões pequenos – para recuperar o terreno perdido. Depois do choque da crise da Ásia, em 1997, e a desvalorização do Real, no ano passado, que diminuiu drasticamente o número de transações com futuros de câmbio, a BM&F vai aos poucos recuperando os níveis de negócios. Em 2000, o volume diário movimentado está em US$ 12,7 bilhões (31,7% maior que no ano passado). Mesmo assim, ainda é praticamente a metade dos US$ 25 bilhões negociados diariamente no seu auge, em 1998.

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