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ECONOMIA/ARGENTINA
Foto: Gustavo Lourenção
MACHINEA: Pode ser a hora de sair, para o ministro que abortou o crescimento
A última chance de Machinea
Ministro da Economia prepara pacote anticrise

O que acontece no vizinho quase sempre nos afeta. Logo, é bom manter um olho sobre as notícias da Argentina, uma vez que a capital do Brasil, para muitos operadores financeiros no Hemisfério Norte, continua sendo Buenos Aires. E as notícias que vêm de lá não são boas. A turbulência financeira das últimas semanas está prestes a fazer sua primeira vítima em José Luiz Machinea, ministro da Economia. Tolhido em uma corrente de más notícias, Machinea terminou a semana como refém da boa vontade do presidente Fernando de la Rua. Há cinco meses no cargo, o ex-auxiliar de Raúl Alfonsin está sendo responsabilizado, dentro e fora do governo, por um erro brutal de avaliação econômica: a imposição de um pesado tarifaço sobre as empresas com o objetivo de fechar o rombo fiscal herdado da gestão Carlos Menem. Além de não aumentar a arrecadação, a medida inaugural do governo teve o efeito de ferir o crescimento que se ensaiava – fazendo prever que a Argentina terá, este ano, crescimento de apenas 2%, contra uma queda de 3% no ano passado. No lado fiscal, o país somou em abril um déficit de US$ 600 milhões, embora seu acordo com o Fundo Monetário Internacional exija um déficit total no trimestre de US$ 690. Resultado: Machinea está na prancha, seu chefe enfrenta manifestações de rua e esperava-se para este final de semana um pacote de ajuste. Deve ser sua última chance.

Em meio a mais essa crise, reapareceram em Buenos Aires, de mãos dadas, duas figuras que andavam nas sombras desde a posse de De la Rua: o ex-presidente Carlos Menem e a dolarização. Menem publicou na semana passada um longo artigo em que ataca o atual governo pela má condução da política econômica e propõe um “choque de credibilidade” por meio da adoção do dólar como a moeda nacional. A idéia é que isso restauraria a confiança dos mercados, barateando a rolagem da dívida que anda difícil e permitindo uma nova onda de investimentos externos. Embora pareça absurda na ótica brasileira, a proposta tem coerência com a trajetória do país. A Argentina vestiu a camisa-de-força da conversibilidade para escapar da hiperinflação e agora imagina safar-se da estagnação sacrificando aos mercados o que lhe resta de autonomia monetária. Não resolve o problema de competitividade do país, mas pode lhe dar algum fôlego. De la Rua mais de uma vez se pronunciou contra essa idéia, mas pode ser compelido a aplicá-la – e Machinea não seria o homem para isso. Estrategicamente, está na equipe de governo como ministro da Defesa aquele que é considerado o melhor economista do país, Ricardo Lopez Murphy. Não se sabe o que ele pensa sobre a dolarização, mas antes da eleição defendia um choque liberal que reduzisse impostos e cortasse ainda mais radicalmente os gastos públicos. A hora pode estar chegando para testar suas idéias.

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