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MACHINEA:
Pode ser a hora de sair, para o ministro que abortou o crescimento
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A
última chance de Machinea
Ministro da
Economia prepara pacote anticrise
O
que acontece no vizinho quase sempre nos afeta. Logo, é
bom manter um olho sobre as notícias da Argentina, uma
vez que a capital do Brasil, para muitos operadores financeiros
no Hemisfério Norte, continua sendo Buenos Aires. E as
notícias que vêm de lá não são
boas. A turbulência financeira das últimas semanas
está prestes a fazer sua primeira vítima em José
Luiz Machinea, ministro da Economia. Tolhido em uma corrente de
más notícias, Machinea terminou a semana como refém
da boa vontade do presidente Fernando de la Rua. Há cinco
meses no cargo, o ex-auxiliar de Raúl Alfonsin está
sendo responsabilizado, dentro e fora do governo, por um erro
brutal de avaliação econômica: a imposição
de um pesado tarifaço sobre as empresas com o objetivo
de fechar o rombo fiscal herdado da gestão Carlos Menem.
Além de não aumentar a arrecadação,
a medida inaugural do governo teve o efeito de ferir o crescimento
que se ensaiava fazendo prever que a Argentina terá,
este ano, crescimento de apenas 2%, contra uma queda de 3% no
ano passado. No lado fiscal, o país somou em abril um déficit
de US$ 600 milhões, embora seu acordo com o Fundo Monetário
Internacional exija um déficit total no trimestre de US$
690. Resultado: Machinea está na prancha, seu chefe enfrenta
manifestações de rua e esperava-se para este final
de semana um pacote de ajuste. Deve ser sua última chance.
Em meio a mais essa crise, reapareceram em Buenos Aires, de mãos
dadas, duas figuras que andavam nas sombras desde a posse de De
la Rua: o ex-presidente Carlos Menem e a dolarização.
Menem publicou na semana passada um longo artigo em que ataca
o atual governo pela má condução da política
econômica e propõe um choque de credibilidade
por meio da adoção do dólar como a moeda
nacional. A idéia é que isso restauraria a confiança
dos mercados, barateando a rolagem da dívida que anda difícil
e permitindo uma nova onda de investimentos externos. Embora pareça
absurda na ótica brasileira, a proposta tem coerência
com a trajetória do país. A Argentina vestiu a camisa-de-força
da conversibilidade para escapar da hiperinflação
e agora imagina safar-se da estagnação sacrificando
aos mercados o que lhe resta de autonomia monetária. Não
resolve o problema de competitividade do país, mas pode
lhe dar algum fôlego. De la Rua mais de uma vez se pronunciou
contra essa idéia, mas pode ser compelido a aplicá-la
e Machinea não seria o homem para isso. Estrategicamente,
está na equipe de governo como ministro da Defesa aquele
que é considerado o melhor economista do país, Ricardo
Lopez Murphy. Não se sabe o que ele pensa sobre a dolarização,
mas antes da eleição defendia um choque liberal
que reduzisse impostos e cortasse ainda mais radicalmente os gastos
públicos. A hora pode estar chegando para testar suas idéias.
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