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EXPANSÃO
Mariza Cavalcanti
O grupo gaúcho Eberle Mundial se prepara para atravessar, com muita classe, as fronteiras brasileiras. Até o final do mês, vai se tornar a primeira companhia nacional a fornecer marcas próprias para a Bloomingdale's, sofisticada rede norte-americana de lojas de departamento. Cerca de dez linhas de facas forjadas (fabricadas em uma só peça) com a assinatura de uma das mais tradicionais escolas de culinária do mundo, a francesa Le Cordon Bleu, passarão a ser vendidas no badalado endereço das grifes mundiais. O negócio deverá render, até o final deste ano, US$ 1 milhão, mas o presidente Michael Ceitlin sabe que pode ir muito além. A Bloomingdales é uma vitrine, diz. A partir dela, ampliaremos o fornecimento para outras redes de varejo no mundo. Outra fronteira desbravada pela Eberle é a do universo virtual. E mais uma vez a empresa começa por cima: acaba de fechar contrato com a Amazon.com para a comercialização de 30 itens da linha de facas Mundial. A companhia, dona de um faturamento anual de R$ 300 milhões, não é novata no mundo das exportações. Só agora, porém, aos 104 anos de idade é uma das mais antigas em operação no Brasil começa a seduzir os consumidores que freqüentam os redutos mais elegantes do mercado internacional. Desde a década de 60, as máquinas da companhia vinham sendo acionadas para a produção de artigos para terceiros como a empresa alemã de cutelaria Henckel e a de beleza Revlon. Em 1996, deu uma guinada em sua política comercial. Ela cerrou as portas para as encomendas externas e buscou a valorização das marcas próprias. Percebemos que estaríamos menos vulneráveis às crises econômicas se desenvolvêssemos produtos com nossa marca para ganhar o mercado externo, explica. A estratégia está dando certo. As vendas cresceram, principalmente de 1999 para cá. Utensílios de cozinha e sofisticados faqueiros, até artigos de beleza pessoal (tesouras, alicates, etc.) assim como componentes de fixação (botões, rebites, ilhoses e colchetes) ganharam os países da Europa e da América Latina, além dos EUA. No ano passado, foram contabilizados R$ 38 milhões. Para 2000, a perspectiva é elevar essa receita para R$ 48 milhões. Corte de custos. Ceitlin assumiu o comando da Eberle Mundial em 1994. Desde então, tem capitaneado as mudanças que resultaram este ano na renegociação com o governo federal da dívida de mais de R$ 400 milhões e nos resultados azuis do primeiro trimestre. A boa notícia, já comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), minimiza o pessimismo gerado pelos prejuízos de cerca de R$ 115 milhões acumulados em 1998 e 1999. Para seguir o caminho do lucro, Ceitlin passou a régua nos custos, reduzindo as despesas operacionais em 47%, fechando fábricas (até o final do ano, restarão somente três das nove unidades existentes) e cortando mais da metade dos postos de trabalho. Estamos nos reerguendo e começando a viver uma nova fase, celebra o presidente. |
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