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AVIAÇÃO Paula Pacheco, enviada à Porto Alegre
O engenheiro Ozires Silva está, de novo, nas nuvens. Emocional e fisicamente. Ozires voou em vários céus: dirigiu a Embraer, há 15 anos, a Petrobras, logo depois, e até o Ministério da Infra-estrutura esteve sob seu comando. Das nuvens, quando presidi a Embraer, fui ao subsolo e agora volto à atmosfera. O engenheiro está radiante com a missão. Tão animado que nem a mulher, Teresinha, ousou demovê-lo da idéia. Amigos próximos do novo presidente da Varig dizem que só o viram tão feliz com uma proposta nos tempos em que cogitaram seu nome para candidato a presidente da República. Sim, Ozires já viajou nesses sonhos. À época, incentivado pelo amigo-empresário Sérgio Quintella, chegou a criar um certo Movimento de Convergência Democrática. O vôo foi alto demais. Ozires teve de botar o pé no chão e voltar a fazer o que mais sabe: administrar. Dizem do engenheiro que ele é um dos melhores exemplares de executivo híbrido: consegue se movimentar com inusual desenvoltura na caserna onde deixou a marca de militar austero , nas esferas do poder onde encontra os melhores amigos e, principalmente, no circuito da livre iniciativa, cobiçado que é pelo seu estilo agressivo de resgatar empresas em dificuldades para o horizonte azul dos céus de brigadeiro. E é esse trânsito nas várias esferas e habilidade que o levam desta vez ao comando da Varig. Temos muito a fazer, disse ele a DINHEIRO, ainda no calor da assembléia de acionistas na capital gaúcha, Porto Alegre, QG da Fundação Rubem Berta, onde foi ungido por mais de 100 conselheiros ao cargo. Não há dúvida, Ozires é o homem certo, na hora certa, no lugar certo. No momento em que ele cruzou o umbral da sala de reuniões da sede da Varig, na quarta-feira, 17, foi aplaudido como redentor. Todos queriam ouvir dele qual a rota que a companhia seguirá daqui para frente. Nos corredores os funcionários repetiam: Nosso presidente chegou. O plano de vôo foi animador. Ozires quer converter em lucro o prejuízo de R$ 94 milhões, registrado no ano passado. Vai mudar o perfil da frota em busca da eficiência, vai bater na porta do governo em busca de novas linhas, vai aos bancos e companhias de leasing renegociar a dívida de US$ 900 milhões. Enfim, um trabalho hercúleo para um senhor de 69 anos, pouco mais de 1,65 m de altura e fala mansa. Mas ninguém na sala duvidou de sua capacidade. É bom ter Ozires conosco, repetiam os satisfeitos conselheiros.
A escolha dele passou pela mesa do presidente da Fundação, Yutaka Imagawa. Ozires é o executivo desejado por ele: mais negociador e menos operacional, o oposto do ex-presidente Fernando Pinto. A razão é simples. Imagawa quer recuperar espaço em Brasília, perdido para a TAM. A escolha não poderia ser mais feliz. Ozires é um falcão da aviação, na qual trabalha há mais de 50 anos. Além disso, foi coronel-aviador, presidência da Embraer e da Petrobras e o ministro da Infra-estrutura no governo Collor. Ou seja, trânsito livre em Brasília, dos gabinetes civis aos militares, até o presidente Fernando Henrique Cardoso. Assim que foi confirmado no cargo, mandou um recado aos concorrentes. Quando tiver oportunidade, vou conversar com o meu amigo Malan sobre a liberação das tarifas aéreas, disse. Uma demonstração clara de seu poder de fogo. Além de preços de passagens, o engenheiro deverá se encarregar de outros assuntos. Um deles é a redução do número de empresas aéreas. A discussão do tema o levará ao gabinete do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, seu velho conhecido dos tempos em que a Embraer negociava com o Bradesco. Já a abertura dos céus aos estrangeiros levará Ozires a aterrissar seus argumentos contrários, evidentemente no gabinete do ministro da Defesa, Geraldo Quintão. Eles podem não se conhecer bem, mas na Aeronáutica militar os oficiais ainda se lembram do velho coronel-aviador. E seus conselhos certamente penderão em favor do ex-colega de farda. A defesa do mercado doméstico não soa estranho nos lábios de Ozires porque ele é conhecido por suas idéias nacionalistas. Afinal, o engenheiro é o fundador e primeiro presidente da única fábrica de aviões do País que deu certo. Ozires não disfarça o entusiasmo com a volta. Nunca vivi outro ambiente que não fosse a aviação, afirma. |
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